sábado, 31 de janeiro de 2009

Satanás derruba teto da Renascer

No início da noite de um domingo de janeiro, os fiéis, reúnidos no principal templo da Igreja Renascer, no Cambuci, São Paulo, foram, em poucos segundos, soterrados pelo teto da Igreja. Uma núvem de poeira apareceu e dificultou ainda mais que se enxergasse o que se passava. "Do pó viestes, ao pó voltarás", disse um evangélico, ex-usuário de drogas, às famílias das vítimas, tentando consolar os que estavam ao seu redor.

O objetivo das investigações era claro: descobrir quais as causas da desgraça. A Polícia e a Defesa Civil, de maneira amadora, culparam a última reforma do telhado. O PG, que conta com uma equipe investigativa muito mais capaz, foi além.

Noite de sexta. Em São Paulo, missa na Renascer. O pastor convoca os fiéis. Que viessem até o altar e contassem uma história que provasse a existência de Deus. Sobe uma mulher de meia idade, tímida, e diz "meu marido conseguiu emprego". Em coro, todos dizem "aleluia!". O pastor pede algo mais forte. Aparece um jovem forte. "Eu tinha Aids, agora estou saudável". O "aleluia" sobe de tom. "Quem pode nos mostrar milagre maior?", desafia o pastor. Surge uma senhora. Ela parece tímida. "A plást..." e a sua voz some. O pastor diz que não conseguiu escutar. Ela tenta novamente: "a plástica da Dilma Rouseff, pronto, falei".

Só Jesus, irmão

Mesma noite de sexta. Em Brasília, enquanto se arrumava para ir ao Forró, Dilma Rousseff se olhava mais uma vez no espelho. A recauchutada tinha ficado boa. Aquele rapaz que tinha deixado a ministra sozinha, justo enquanto tocava "moreno, me convidou para dançar um xote, beijou o meu cabelo, cheirou meu cangote, fez meu corpo inteiro se arrepiar", trazendo boas lembranças para Dilma, iria se arrepender. Iria ver o que perdeu. O PAC pode não impressionava muito os rapazes. Tudo bem, duas pontes no interior de Tocantins e um toldo no porto de Paranaguá ("pelo menos os estivadores não se molham mais quando chove, tá?", ela se defende) não são grande coisa pra sussurrar ao ouvido de um desses guris entre uma dança e outra. Mas, agora, tudo iria mudar. "Tantos anos de luta revolucionária pra mudar o mundo quando eu precisava apenas de um bisturi?", questiona Dilma ao espelho. "Que desperdício de tempo..."

No Forró, Dilma dança contente, sem grandes preocupações. Ao menos até encontrar o moreno. Aí, o coração da ministra bate mais forte. "Coração, pra que se apaixonou por alguém que nunca te amou, alguém que nunca vai te amar?" ao fundo e na sua mente. Ele parece impressionado. Larga uma loira e vai ao encontro de Dilma. Olhares são trocados. Ele a puxa com força. Eles se jogam em meio aos casais. "Pra que chorar sua mágoa? Se afogando em agonia... Conta tempestade em copo d´água, dance o xote da alegria, aaah haa hei hei, um dêr um dêr um iô dereeê um dêrum, dêrum deeê um dêrum dêrum derum."

"A letra dessa música é linda, né?", diz Dilma. Ele concorda. Fazem passos. Ela passa por baixo do braço dele, ele a joga para longe a puxa de volta, eles dão a inusitada batidinha de bunda lateral que, misteriosamente, agrada tanto aos forrozeiros brasileiros. "Devia ter mandado o cirurgião dar uma endurecidinha atrás também, nem ia ficar tão caro", ela pensa. Eles se aproximam. Saem da multidão. Seus lábios, agora, estão a pouco centímentos. Ele recua. "Você está linda, mas eu não deveria estar aqui. Troquei o culto pelo forró e, se te beijar, vou estar pecando ainda mais". Ele vai embora. Ela só consegue fazer uma última pergunta: "mas qual a sua igreja?". "Renascer" e some na multidão.

"Na sua boca viro fruta. Chupa que é de uva. Chupa, chupa, chupa que é de uva" ao fundo. "Odeio essa música, odeio esse lugar, odeio tudo", diz Dilma enquanto segura as lágrimas. Ela vai dar a volta por cima. Se fosse da igreja, ele a amaria, ela pensa. Ela poderia muito bem se converter. Dilma quer impressionar o moreno. Quer que ele a admire. Resolve ir até São Paulo. Na sede, para mostrar firmeza. E, afinal, melhor conhecer a igreja, no começo, longe do moreno. Ainda além, pode aproveitar a viagem para tomar um café com o adversário e amigo José Serra. "Se não fosse tucano e gostasse de forró, quem sabe...", disse Dilma a interlocutores recentemente.

Só consegue chegar na capital paulista no domingo. Ela vai ao culto. Senta no fundo, tímida. Quando ele termina, resolve ir conversar com o pastor. Quer saber mais sobre o amor cristão. Depois de cinco passos, vê um moreno de mãos dadas com uma loira perto do altar. Ela continua andando. O moreno também vai em direção ao pastor. Ele não a viu. Ela se assusta. O moreno não era qualquer moreno, era o seu moreno. Antes que pudesse ver Dilma, ele fala ao pastor: "eu e a minha noiva queriamos casar nessa igreja, tão linda, apesar de sermos de Brasília. Posso falar com o senhor?".

Dilma se desespera. Ele a vê. Ela sai correndo para o banheiro. O moreno vai atrás. Ela tranca a porta e manda ele ir embora. Ele não vai. Ela chora. Grita. Fala palavrões. Aos prantos, berra "eu quero que o mundo caia na minha cabeça se você casar com ela, demônio!". Silêncio. O teto começa a rachar, os fiéis fogem. Dilma se salva. Moreno volta para salvar a loira e ambos morrem. Ela se desespera. Percebe que errou. Fica com medo de ser punida. Invocar o demônio tinha sido demais. O máximo que ela já tinha feito antes disso era usar o nome de José Dirceu em negociatas políticas. Não é muito diferente de invocar o demônio, certo, mas ao menos era um representante menor dele. Antes que a polícia e os bombeiros chegassem, ela corre até um ponto de táxi. Aeroporto. Brasília. Nunca mais quer lembrar do passado. O PG lembrará, Dilma, o PG lembrará.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Seu Orlando ajuda Barack Obama

Fala, my old black. Tô lascado, Orladinho. Gostava tanto da sua coluna no "Pensamos Grande..." e fiquei triste com a saudade. Quem sabe se eu pedir vocês não voltam? Preciso muito de uma ajuda.

Foi sacanagem da patroa ficar falando que eu devia ser presidente, que a gente ia arranjar uma boquinha na Casa Branca, que, nesse mundo, negão que quer ser importante tem que virar pagodeiro, jogador de futebol ou presidente dos Estados Unidos e eu não sabia cantar e tava velho demais pra virar zagueiro do Flamengo. Agora, veja só, ganhei as eleições e virei um cara famoso. Mas e aí? Nem deu tempo de tunar minha caranga que nem eu queria quando entrasse uma grana, já ficam enchendo o saco pra eu resolver o problema dos judeus lá. O que eu faço, meu mestre? E, mais do que isso, você acha que um neon azul fica estiloso?


Meu Barakynho, quantas vezes te peguei no colo porque tu era um pretinho feio de dar dó e ninguém queria te segurar. Fiquei orgulhoso pra caramba de você, meu menino na Casa Branca. Mas olha, nada de chamar seus assessores e ficar escutando aqueles seus raps no último volume aí de madrugada que, como você sabe, a vizinhança pode encher o saco e, se baixar a polícia aí, sempre acaba sobrando a culpa pro negão.

Se bem que eu gostava também daquele tal Bill. Sempre torci pros democratas, né? E sempre achei aquela história da estagiária uma grande maldade. Como se estagiário servisse pra outra coisa. Eu andei contratando uns meninos aí, uns pretinhos bem legais até, que estão estudando, tudo. Mas eles não sabem fazer nada! Aí eu falo "olha, já que tu não sabe fazer nada, pelo menos vai buscar um cafézinho". Outro dia o guri derrubou a xícara cheia de café quente no meu colo. Fiquei bravo, ardeu pra caramba, mas deixei passar. Mas, se fosse uma estagiária com aquela cara de safadinha de "tudo em nome da nação, senhor", eu ia mandar dar uma sopradinha pra ver se aliviava, né? Daí alguém ia ver essa cena na minha sala e já ia colocar malícia, as pessoas não prestam mais.

Sobre os judeus, você lembra daquele Carnaval de 1997 que eu te convidei pra vir aqui pro Brasil? Você bebeu todas, se tivesse cabelão você já tava querendo pegar, um cara daqueles rockeiros com o cabelo enorme até quis bater em você. Acho que você até teve problemas na alfândega quando tava indo embora, né? Porque aquele papo, verdadeiro, de que as 30 garrafas de cachaça 51 eram pra "consumo próprio" não funcionou muito. Mas, então, aqui nós temos judeus, temos árabes, temos de tudo. E eles vivem bem, ninguém fica se matando. Quer dizer, a gente até se mata, mas é por causa de assalto, drogas, coisas muito mais nobres do que essa bobagem de terra sagrada. Chama tanto uns palestinos quanto uns israelenses pra umas semanas estudando filosofia ou ciências sociais na USP. Quem sabe a maconha não une o pessoal ou, se a fumaça for grande, faça até eles esquecerem por que é que brigavam tanto. Mais fácil conviver com uma boca de fumo ou outra do que com os mísseis do vizinho, né?

E o neon vai ficar demais, mas você sabe que não vai ter blitz na qual os caras não vão te parar. Ainda vão te revistar e perguntar de quem você roubou o carrão. Tá achando que é o Pelé, rapaz?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tarso Genro não permite extradição de italiano

Era 1988. Tarso Genro ainda era um garoto de 41 anos e assistia, sentado no sofá com seu pijaminha listrado, o Xou da Xuxa. Após alguns blocos, entra o Trem da Alegria. O refrão "cola o teu desenho no meu pra ver se cola, cola meu retrato no teu e me namora" mexe com ele.

Genro sente saudades. "Amor de esquerda é sem igual, nunca tem final", ele diz. Ele havia conhecido o italiano Cesare Battisti no México, no ano anterior, quando foi convidado para dar aulas em universidades locais. "Entre borrachas e apontadores mora o meu grande amor. Colei seu nome, com várias cores, no livro que ele me emprestou", escreveu Tarso. Ele afirma que Battisti lhe emprestou o livro "Marx para apaixonados: uma revolução na cama", escrito pelo próprio italiano.

Após longo trabalho investigativo, tivemos acesso a trechos da surpreendente obra. Nosso repórter se infiltrou em grupos esquerdistas radicais para ter acesso ao material. Conseguiu reunir partes do livro, mas sua esposa reclama que, após a experiência, ele deixou a barba crescer e não permite mais que ela depile suas regiões íntimas, pois "os pêlos, assim como as pessoas, devem se misturar até que não existam mais desigualdades". As garotas da redação deixaram de cumprimentar o repórter com beijos no rosto após esta declaração.

Diz o livro:

O homem de esquerda, conhecendo os princípios que norteiam a nossa luta, não deve ficar por cima da mulher, já que as companheiras poderiam se sentir oprimidas, especialmente se o camarada for gordo. Devemos evitar também colocar a mulher "de quatro", pois, como sabemos, isso é uma atitude típica na burguesia no trato com o proletariado. Gritos e gemidos são estimulados, mas insinuações religiosas com "ai meu deus!" ou "nossa senhora, que delícia", são desencorajadas, pois a religião é, como sabemos, o ópio do povo.

Outro trecho trata do homossexualismo:

Tudo é válido pelo amor esquerdista, e não há problema se dois homens se completam. Devemos notar, entretanto, que o homossexualismo é uma guerra de esgrimas desigual, onde raramente os participantes portam armas do mesmo tamanho. Cabe ao homem mais bem dotado não se importar com isso, pois é nossa luta é, e sempre será, por aqueles que tem menos. O trotskismo, através do conceito de revolução permantente e além das fronteiras soviéticas, nos faz desejar e acreditar na inevitabilidade do vitória comunista em lugares tão diferentes quanto a África e a Ásia. Em nome da comunhão entre os povos, preconceitos de tamanho não serão tolerados.

Naquele verão de 88, Genro prometeu para si mesmo que ainda ajudaria Cesare. Hoje, adulto e ministro da Justiça, ele cumpre com a sua promessa: concede asilo no Brasil para o amigo, perseguido na Itália por questões políticas como assassinato. É a vitória do amor vermelho.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Pensamos Grande..." volta à ativa

Devemos esclarecimentos. Sabemos que nossos leitores sentiram a nossa falta nos últimos meses mas, devemos explicar, coisas imprevisíveis aconteceram. Alguns problemas fizeram com que tivéssemos que sair do ar. Trata-se de uma conspiração da grande mídia.

Tudo começou em uma terça-feira comum na nossa sede. Os jornalistas jogavam esconde-esconde na redação. Entre eles, um recém chegado, que disse estar acostumado a ser chamado de Pachequinho. Isto incomodou um pouco os velhos jornalistas do PG, acostumados com o nosso ambiente de trabalho, sempre formal.

Na luxuosa sala de espera da redação do "Pensamos Grande...",
da direita para a esquerda, nossa equipe jornalística: Aninha
"Fumacê", Miguelzin "Goró", "Pê Peludinha" e Luizão "Come-Rabo".

Pachequinho usava roupas caras e se portava com certa elegância. Ficou incomodado quando "Goró", encarregado de procurar as pessoas naquela rodada, correu até o pique e gritou "um, dois, três, Pachequinho que tá escondido no banheiro". Pachequinho começou a dizer que estava sendo perseguido por todos os jogadores. Enquanto discutia com Goró, que dizia que ele era um irresponsável por se trancar no único banheiro da redação sabendo que a Pê Peludinha tinha problemas no intestino, Aninha correu até o pique e gritou "Um, dois, três, Fumacê salva o mundo!", acalmando os ânimos. Goró ainda tentou argumentar, dizendo que "você já tá passando dos limites com essa história de que o fumacê vai salvar o mundo, você tá ligada que apologia é crime, imagina se sua mãe fica sabendo dessas coisas...", mas não adiantou. Goró perdeu.

Cansados de correr, resolveram brincar de outra coisa. Tentaram jogar "Adoleta", mas causou confusão a discussão sobre a letra verdadeira da música ("puxa o rabo da panela, quem saiu foi ela" contra "a cachaça não espera, quem bebeu foi ela", versão de parte dos jornalistas). No final, só conseguiram jogar "Verdade ou Desafio". Quando Goró pôde pedir uma verdade a Pachequinho, o clima ficou ruim: "o que você está fazendo aqui, afinal?". Todos começaram a gritar "não pode mentir, não pode mentir, senão vai ter que encarar um desafio". "Que desafio?", perguntou Pachequinho. "Entrar no banheiro com a Pê Peludinha", disse Goró.

Sem saídas, Pachequinho teve que dizer a verdade. Era um jornalista infiltrado da Folha de São Paulo. "Eles estão preocupados com o crescimento de vocês", disse. Revoltados, os jornalistas começaram a brigar com Pachequinho. Mas ele ameaçou: "eu fiz 5 anos de boxe!". Em seguida, acertou um soco no fígado de Goró. O jornalista ficou revoltado: "no saco até vai, mas nem pense em tocar no meu fígado!". Começou uma grande briga que quebrou todas as dependências do PG e impossibilitou a nossa publicação por meses. Mas estamos de volta. Felizmente, sem Pachequinho.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Artistas querem dinheiro do pré-sal

A descoberta de grandes reservas de petróleo em território brasileiro criou uma grande discussão, talvez a maior da atualidade no país (perdendo apenas para a declaração de Marta Suplicy, esta máquina sexual, de que não é "de apanhar quieta"). O que faremos como o dinheiro?

Surgiram inúmeras idéias. Entre elas, a de que ele poderia ser utilizado em programas sociais. Vai o petróleo e tudo volta em bolacha Maria para os pobres. "Imagina a pobretada fazendo churrasco na laje com carne de primeira? Vai ser muito chique..." especulou a ministra Dilma Roussef. Alguns citaram a educação e outros a saúde. Há descrença entre a população. Os críticos acham que os hospitais continuarão ruins do mesmo jeito, mas talvez os médicos possam consolar os pacientes dizendo que, ao menos, o carro da funerária não vai gastar tanto em combustível.

Outra possibilidade é incentivar a cultura nacional. Uma equipe de cineastas foi até a Petrobrás pedir patrocínio para um novo projeto, chamado de "Pré-sal de Elite". O filme começaria com o "Pancadão do pré-sal" ("e as popuzudas rebolando, descendo até o chão / quero ver esse petróleo jorrando de montão / o presidente Lula é um cara animal / bebeu uma pinguinha e descobriu o pré-sal") e narraria a saga de um engenheiro nerd do governo em uma plataforma de exploração de petróleo tentando vencer a barreira tecnológica que atrapalha a obtenção do produto enquanto grita "pede pra sair, pede pra sair!" com o líquido negro.

O PG teve acesso exclusivo ao roteiro do filme. Logo no começo surge a fala "nesta plataforma, todo engenheiro tem que escolher: ou pede demissão, ou fica sem sexo, ou vai pra guerra com o negão que cuida da tubulação". São tempos difíceis na plataforma. Uma quantidade imensa de homens longe de casa e sem mulher. A coisa mais sensual que se enxerga é o Zé do refeitório mexendo o feijão. Todos estão desesperados e o nosso herói pensa em desistir, mas antes precisa escolher um sucessor. Qual dos trainees da Petrobrás vai tomar o seu lugar?

Alguns diálogos são marcantes. Logo no começo do filme há o seguinte:
Nascimento, narrando o acontecimento: "Eu já perdi a conta do número de vezes que eu virei a noite no dormitório por causa da falta de mulher."
14: "01, dá pra matar dois coelhos com uma porrada só aqui, hein?"
Nascimento: "É 100%, 14?"
14: "Caveira, meu capitão!"
Nascimento: "Então senta o dedo nessa porra!"
Seguem cenas que fazem uma intertextualidade genial entre Tropa de Elite e O Segredo de Brokeback Mountain. Algumas cenas depois, na seleção de trainees, é possível assistir:
[Durante a cerimônia de iniciação ao curso de formação de trainees da Petrobrás, engenheiro Nascimento tenta fazer o trainee 01 desistir do curso.]
Nascimento: "Você acha que aqui ninguém sabe que você recebe dinheiro das multinacionais do petróleo? Você acha que aqui ninguém sabe que você recebe dinheiro do lobby das empreiteiras? Você acha que ninguém aqui sabe que você só está aqui porque é petista? Que o seu pai tem cargo comissionado? O senhor sabe por que o número do senhor é 01? É porque o senhor vai ser o primeiro a desistir! E eu [Cospe na cara de 01] vou fazer o senhor desistir! Pede pra sair! [Dá um tapa na cara de 01] Pede pra sair! Pede pra sair!"
01: "Não, senhor! [Leva outro tapa]"
Nascimento: "Pede pra sair!"
01: "Não, senhor!"
Nascimento: "Pede pra sair, senão vai sair debaixo de porrada! [Dá vários tapas e pontapés em 01]"
01: "Eu desisto! Eu desisto! Eu desisto!"
Nascimento: "01 desistiu!"
[Sons de aplausos]
Ao longo do filme, existem vários pontos altos como "devolve esse CREA que você é moleque!" e um diálogo existencial como "Tá sem sua HP, zero três?" "Esqueci, senhor" "E se um tubo estourar durante a operação? Vai fazer o que com essa prancheta? Vai calcular tudo na mão?" "Não, senhor!" "Vai enfiar no cu?" "Não, senhor!" "Então pega a porra da HP!".

Os executivos da Petrobrás ficaram muito empolgados e prometeram colocar a cultura nacional em primeiro lugar. O cinema brasileiro aguarda esta grande obra-prima que está a caminho.

domingo, 31 de agosto de 2008

McCain escolhe vice conservadora

O candidato republicano ao governo americano escolheu Sarah Palin, do glorioso estado do Alasca, para ser sua vice. Delicada e singela, aos 44 anos ela é uma simpática sócia da National Rifle Association, organização que se reúne para promover a caridade e o amor entre as pessoas ao redor do mundo.

Membro da NRA fazendo amigos na década de 1960

Conservadora, muito religiosa, defensora das armas e contra o Kama Sutra, Palin afirmou já ter fumado maconha quando a droga era permitida no Alasca. Segundo seu marido, no começo do casamento ela ficava agressiva quando ele não tinha lavado a louça ainda. Ela segurava a pistola na mão e gritava com ele "que monte de sujeira é esse? E cadê minha cerveja que o jogo do mengão já tá começando, caramba". Ele pedia desculpas e perguntava "querida, vamos fumar um baseado e escutar Mutantes antes do jogo começar?". Ela se acalmava e dizia "ah, como homem dá trabalho".

Segundo um especialista em ciências políticas da Universidade do Alasca, Palin nem sempre foi assim. Na década de 1980, enquanto universitária, foi apaixonada por um democrata. Enquanto defendiam o acesso universal ao sistema de saúde, fumavam maconha, defendiam o acesso universal ao sistema de saúde, fumavam mais maconha, defendiam o acesso universal ao sistema de saúde e fumavam maconha, Palin se viu perdida em paixão. "Fala que odeia o Reagan, fala que odeia o Reagan" ela gritava enquanto faziam amor.

Como fazer uma republicana ter um orgasmo

Seu grande amor, entretanto, começou a frustrar as expectativas de Palin. Como bom democrata, ele não resistiu quando foi resolver pendências na reitoria e entrou no escritório apenas uma moça desconhecida. Ela a escutou dizer "oi, eu sou estagiária" e não conseguiu evitar um contato maior. Ela foi pega com a boca na butija (e em outros lugares também. Democratas...), ambos foram expulsos da universidade e a poltrona do reitor jogada no lixo.

Depois disso, Palin mudou. Se tornou conservadora, comprou uma .38, desistiu do amor e deixou de assistir "Outono em Nova York" para ver algo como "Rambo IV". Passou a freqüentar a Igreja todos os domingos e condenar todo tipo de sexo que não sirva para procriação, especialmente com secretárias. Em palestras voltadas para a formação de jovens cristãs, ela costuma dizer que "amígdala é vermelha mas não é óvulo" defendendo o sexo conservador. Há traumas que nunca morrem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Entenda a grande e amada pátria da Geórgia

Além de se divertir ao acompanhar os esportes e a distribuição de medalhas nas olimpíadas, este é um bom momento para cometer todo tipo de contravenção e malandragem. Com todos os olhares da imprensa na China, o resto do mundo aproveita. "Podiam deixar os jornalistas na China pra sempre", diz a petista Marta Suplicy. No sábado, a candidata foi abordada por um eleitor que relatou suas dificuldades amorosas e pediu conselhos. A sexóloga feminista, interessada no voto, disse que "nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais" e convidou o rapaz para a sua mansão no Jardim Europa: "vem ser meu Rocky Balboa, querido". Entretanto, para o alívio de Marta, este acontecimento ficou de fora dos jornais em detrimento de interessantíssimas matérias sobre a chegada da delegação de Botswana a Pequim e da unha encravada de Robert Scheidt.

Não foi apenas Marta Suplicy quem aproveitou. Enquanto a ex-prefeita se divertia apanhando na cama, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, cansado de ficar mexendo no Orkut, fechava os olhos e apontava em um mapa um país qualquer na regiões da fronteira da Ásia com a Europa para atacar. "O divertido de conflitos na antiga URSS é que a gente só descobre que os países existem quando eles já estão destruídos", diz o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. O "Pensamos Grande..." lamenta ter fechado o seu escritório internacional na Geórgia em fevereiro depois que a Receita Federal começou a barrar os carregamentos de Vodka que os nossos jornalistas traziam quando retornavam. Entretanto, inconformado com o pouco caso da mídia brasileira com a bela, forte e pujante nação georgiana, trás um relato completo sobre este país que está sendo vitima de uma ofensiva russa.

A Geórgia surgiu em 2000 antes de cristo quando um motorista da Viação Itapemirim responsável por fazer a linha Cairo-Babilônia Convencional, lotado em uma véspera de feriado, se perdeu ao passar por uma placa mal colocada. Quando o combustível acabou, estavam numa terra feia e deserta que chamaram de Geórgia. Decepcionados, os passageiros perceberam que não seria possível voltar. Surgia então uma nova nação, cujo lema é Chemi khatia samshoblo, que em português significa "Motorista filho da puta".

Nos próximos 4000 anos não aconteceu absolutamente nada, o que explica por que nenhum aluno de ensino médio da Geórgia reprova em história. Os georgianos ficaram esperando por uma carona na beira da estrada e, enquanto isso, iam consumindo os alimentos que haviam trazido para a viagem. Como o ônibus era convencional e pobre não pode pensar em viajar que leva pacotes de bolacha "pras criança" até no motor do veículo, os alimentos só começaram a faltar na década de 1910, quando a escassez causou inflação e os habitantes passaram a se matar por uma empadinha da rede Graal.

Felizmente, em 1920 o grande Lênin encontrou aquelas pessoas e os chamou de Sakartvelos Demokratiuli Respublika, que em português significa "Povo do busão amarelo". Felizes, os georgianos começaram a receber alimentos do forte e vasto império soviético. Entretanto, após milênios enfrentando comida de estrada, os seus aparelhos digestivos não estavam mais preparados para enfrentar coisas como salada de tomate e creme de milho no lugar de coxinhas e bolachas Bono. Isso causou uma corrida ao banheiro e disputas sociais que dividiram a Geórgia por décadas. Os que tinham lugares mais próximos do banheiro (poltrona 21 para frente) se aproveitavam da sua posição social e discriminavam os pobres ocupantes das poltronas de numeração mais baixa. Marginalizados, estes passaram a se portar como rebeldes e, num ato de vandalismo, quebraram a descarga do banheiro, causando convulsão social e estado de emergência na Geórgia.

Com o fim da URSS, os georgianos ficaram sem a comida e com o cheiro ruim. Isso causou trocas de acusações e o "Povo Oprimido das Poltronas de Número Menor que Vinte" resolveu proclamar independência e passaram a se chamar de Ossétia do Sul. Os georgianos que sobraram não gostaram e desceram a porrada neles, tacando copinhos de água mineral com etiquetas "tenha sempre uma boa viagem" nas suas cabeças. Putin, com consciência ecológica, não gostou deste desperdício de água e resolveu que a Russia deveria intervir. Isto causou os atuais conflitos, muito mais divertidos que as Olimpíadas.

O PG acompanha de perto os desdobramentos dos ataques russos e torce para que a Guerra não eleve o preço da Vodka.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por que os brasileiros não querem ter filhos

Orgãos de pesquisa revelaram que a taxa de fecundidade da mulher brasileira caiu a níveis quase europeus. O "Pensamos Grande..." trás um relatório sobre o que aconteceu com a nossa sociedade.

Até algumas décadas atrás, ter filhos era um investimento seguro: eles iriam crescer, trabalhar e oferecer carinho para os pais. Mas com a gauchização do universo, fenômeno descrito pela sociologia, a juventude foi levada para um caminho triste. Os homens não querem mais ter filhos porque sabem que, se nascem meninos, ficarão decepcionados. Sabem que os garotos logo estarão assistindo comédias românticas e chorando pelos cantos porque o Robertinho deixou um depoimento no Orkut para o Rodriguinho mas não para eles. "E aí filhão, quem é aquela sua amiga loirinha que está sempre junto com você na saída do colégio?". "Ai, Pai, é a Fer, o cabelo dela é super lindo mesmo, né? Que legal que você também super reparou nele, eu acho o máximo! Ela também acha que eu super devia ter umas mechas loiras também!".

Pior ainda, com a inversão recente de papéis, as mulheres bebem Whisky, Rum, Gim e álcool Zulu enquanto os homens passaram a beber Smirnoff Ice, Cerveja sem álcool e batida de maracujá ("porque é docinho..."). Este fenômeno, também atrelado à gauchização do mundo, faz com que os pais não queiram ter filhas porque é muito constrangedor convidar toda a família toda para um churrasco no domingo, beber algumas cervejinhas, ficar um pouco tonto e ter que ouvir da filha, com uma garrafa de pinga na mão, "você é bem fraquinho, hein pai?". O desejo de não ter filhas é uma maneira que os homens encontraram de preservar a sua honra.

Além disso, com o desenvolvimento dos métodos anticoncepcionais e dos vibradores, os homens se tornaram menos úteis para as mulheres. Já é comum ouvir mulheres afirmando que o homem nada mais é que "um pinto que, infelizmente, vem com um corpo". Essa falta de entendimento entre os dois sexos causou a desestruturação das famílias e a falta de vontade de ter filhos.

A tecnologia também afastou as pessoas das crianças, fazendo com que elas ficassem alienadas em relação à existência dos pivetes. Os nerds da informática, obsecados por conseguir ver pornografia online no banheiro de casa, inventaram dispositivos que permitem a mobilidade, fazendo com que todos possam usar a internet em qualquer canto. Agora os homens se perguntam se existem bons motivos para se brincar com o sobrinho quando se pode ficar vendo safadeza no Pornotube. Ginecologistas afirmam que se tornou freqüente escutar pacientes perguntando se crianças enterram o próprio cocô na caixa de areia. Quando recebem uma resposta negativa, os impacientes pais perguntam "mas ele pelo menos procura no Google como faz pra trocar a própria fralda, né?".

Ao descobrir que bebês não gostam muito de assumir responsabilidades, os pais desistem da missão de fazê-los. Qual a graça de um bichinho chato que não fala, chora e faz sujeira pra todo lado? Se eles ao menos fossem sozinhos até a geladeira, abrissem uma cerveja e ficassem conosco na sacada fumando um cigarro e falando mal dos outros, quem sabe até valesse a pena... Mas quem disse que eles querem se socializar? São uns chatos.

As mulheres, que agora acham que podem fazer sexo com todo mundo, discutir política, sentar no colo dos meninos virgens só pra sacanear e estudar engenharia civil, também não querem mais ter filhos. Acham que a barriga enorme pode atrapalhar a carreira profissional, apesar de ajudar ao formar um espaço para equilibrar a cerveja, desocupando as mãos. Abrir as pernas para um médico, agora, só se elas forem enfermeiras querendo elaborar um plano de carreira.

Por todos esses motivos, o Brasil sofre de uma falta de crianças. Os espermatozóides estão todos perdidos no fundo de camisinhas e no chão dos banheiros. Padres chamam a população para a não utilização de métodos anticoncepcionais, mas apenas os coroinhas parecer escutar. A transição demográfica assusta e as pedagogas já se interessam em saber quando será o próximo concurso do INSS. Sem crianças, infelizmente não teremos mais abraços calorosos no dia dos pais, mas em compensação vão poder passar filmes de putaria na Sessão da Tarde sem grande preocupações.

sábado, 2 de agosto de 2008

Obituário: Padre Voador

Foi enterrado hoje Adelir de Carli, o Padre Voador. A partir de um minucioso trabalho de investigação, o "Pensamos Grande..." conta a história dele.

Já na infância, Adelir tinha gosto pela aventura. Quando tinha onze anos, disse que à sua professora que ela era "gordinha" mas "dava um caldo" só para sentir o gosto de dizer o inesperado e observar a reação das pessoas. Entretanto, para a tristeza de Adelir, a professora apenas riu e não se incomodou. "Gorda bem resolvida é uma merda", disse Adelir a amigos alguns anos atrás ao lembrar da história.

Chateado com a sua pouca capacidade de impressionar, Adelir cresceu em meio a frustrações. Seu primeiro beijo foi com uma menina que anos depois se tornou lésbica, seu melhor amigo foi preso por roubar duas cuecas Zorba nas lojas Pernambucanas e sua mãe se tornou secretária da escola, sempre indo de encontro ao filho nos intervalos perguntar se ele já tinha comigo o seu lanchinho. Seus amigos também passar a chamá-lo de "filhote lindo", só de sacanagem.

Na adolescência, cresceu em Adelir a vontade de impressionar os outros e deixar de ser a eterna vítima. "Ele resolveu aloprar geral", diz um amigo e confidente, o Padre Conrado. Com um sorriso de galã, perguntava para as meninas mais gordinhas das festas "e aí, rola?". Se a resposta fosse positiva, emendava "então agacha aí que eu te empurro". Segundo psicólogos, isso poderia ser uma reação ao trauma causado pela professora. Adelir passou a vida condenando as gordas.

Entretanto, "a vida é uma caixinha de surpresas e de vez em quando aparece putaria" disse a nós Padre Conrado enquanto contava à equipe do PG, emocionado, a vida do seu falecido amigo. Em uma noite, Adelir ficou bem louco, bebeu, fumou, cheirou e, quando acordou, havia perdido a virgindade com uma menina "que se tivesse ficado por cima teria matado o Adê alí mesmo", diz o Padre Conrado. Revoltado por ter se envolvido com uma gorda, característica tão odiada por ele, Adelir caiu em depressão. "Eu falei pra ele, você não tem hímen, finge que não aconteceu e bola pra frente, mas ele não me escutou" disse nosso querido, e agora já íntimo, Conra, enquanto abria uma cerveja para a equipe de reportagem do PG.

Adelir ficou tão chateado que resolveu que nunca mais faria sexo. Resolveu então virar padre. Era sua última chance de impressionar falando barbaridades. Adê planejava sacanear os fiéis dizendo que "e Jesus se reuniu com os 12 apóstolos e, meus caros, foi vinho, Village People e pegação a noite inteira". Entretanto, o bispo soube dos seus planos e, através de ameaças, o proibiu de falar "essas coisas horríveis". "Onde já se viu ficar cogitando se foi mesmo no pé que Maria Madalena beijou Jesus?".

Ainda mais decepcionado, Adelir esteve próximo do suicídio quando percebeu que as hóstias estavam aumentando o tamanho da sua barriga. Ele, gordo? Não, Adelir não poderia aceitar que estava se tornando membro do grupo que tanto odiava. Resolveu, então, provar que ainda era leve e, juntando o útil ao agradável, impressionar os fiéis voando amarrado em balões. Foi o único momento em que a multidão admirou Adelir, era possível ouvir os gritos da torcida de "O Adelir é bem loucão / corajoso e forte, mexe com meu coração".

Feliz por finalmente ter conseguido a admiração alheia pela sua coragem, Adelir nem se importou mais. Ele cantava "I´m like a biiird, I'll only fly awaaay". Dane-se o vento, o GPS, a quantidade de balões. Agora ele era admirado. Morreu feliz, apesar do frio. "Não vou esquecer dele nunca", diz Conra enquanto abre mais uma Skol.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pobretada não se entende e Doha fracassa

Gritaria, viatura da polícia, ameaças de morte, a vizinhança inteira ouvindo mulheres berrando "Créverson, nóis fez tudo por você e agora você fala essas coisa, o Wellintô até levô feijão pros teus muleque quando cê precisô, seu igrato". Foram cenas como essa que se viu no final da rodada Doha em Genebra. Os pobres não entenderam e tudo acabou em lamentação. "Ah, eu sempre falei pra Kellyani não se esquetá tanto, o Créverson no fundo tem um coração bão, mas nas hora de raiva a gente fala as coisa, né?".

Conversamos hoje com Celso Amorim, ministro das Relações Internacionais, que fala sobre a Rodada Doha, que já foi notícia no PG, e que explicou por que o Brasil, nos últimos anos, focou sua diplomacia nos países pobres. Além disso, ele tentou justificar o fracasso dessa política. É uma questão pessoal. Amorim é um apaixonado por pobre. Chora de emoção quando vai em liquidação das Casas Bahia. Acha pagodão na laje no domingo a coisa mais linda do mundo. Achou que era melhor ser parceiro da Zâmbia, essa potência econômica cujas exportações equivalem a duas mandiocas e três refugiados por ano, do que dos EUA e da União Européia. Infelizmente não deu certo, mas quem poderia prever?

O poder de negociação de Amorim é impressionante. Após a entrevista, trocou o seu carro, um belo Civic que havia saído da loja na semana passada, pelo Gol 87 de um dos membros da equipe do "Pensamos Grande...". "Eu juntei o útil ao agradável. Depois que vi bem, percebi que não tinha gostado da cor do Civic. E, além disso, ele me garantiu que o motor do Golzinho tá ótimo", disse Amorim orgulhoso do ótimo negócio fechado.

Qual a experiência do senhor com negociações desse porte?
Eu tenho muita experiência em negociações. Uma vez consegui convencer a minha mulher, que odeia futebol, a ir assistir o Fluminense comigo se em troca eu lavasse a louça da casa por um mês. Teve um dia que ela disse que precisava de mais tempo para ela, que queria que eu chegasse do trabalho mais tarde. Fiquei desconfiado, mas fiquei comovido quando ela me disse que queria assistir a novela e, comigo em casa, ela não conseguia ficar sem dar atenção pra mim, de tanto que me amava. Isso que é mulher, não? Novamente negociei, disse que voltaria mais tarde se ela deixasse eu comer batatinha frita no almoço. Deu certo.

Mais algum episódio onde o senhor mostrou a sua incrível capacidade de negociar? O senhor teve algum mestre que lhe tenha ensinado essa arte?
Outra vez consegui um desconto de 50 centavos no BigMac com o meu poder de retórica. Eu estava muito preparado para as negociações da rodada Doha, como você pode ver. O meu grande mestre é o meu patrão, o presidente Lula. Conheci Lula ainda no ABC, quando ele era um mero líder sindical. Uma vez o Lula me levou para o boteco e, eu te juro, estava escrito na parece "não vendemos fiado". O Lula foi lá, chamou o sujeito de companheiro e conseguiu pendurar duas pinguinhas. Um mestre, não?

Mas por que Doha fracassou então?
Fomos passados para trás. Nunca mais confio em indiano, em chinês. A gente quis ser amiguinho desse pessoal e eles nos traíram. Na final foram contra tudo que nós queríamos, esqueceram a amizade dos pobres pra ganhar dinheiro. Tudo bem. Quero ver aqueles indianos ficando ricos e tendo que desviar os seus carros importados das vacas, sujando o pneu de cocô. Chinês também. Nunca mais como pastel desses aí.

Aí cada pobre quis uma coisa e ninguém ganhou nada...
É, foi isso. O negócio é ficar amigo de rico mesmo. Uma pena, porque adoro jogo do Corinthians e cerveja Crystal. Mas eu supero...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Aprenda História com o PG: Descobrimento do Brasil

No começo só havia mato. Era como se o Brasil fosse um grande Acre. Por volta de 1500 existiam comunidades no Orkut que diziam "O Brasil não existe". Mas tudo mudou quando um certo Pedro Álvares Cabral convenceu a Coroa Portuguesa a financiar a sua busca por muamba nas índias. "Traz um Xbox pro meu filho", disse o Rei D. Manuel I.

Entretanto, Cabral não foi competente na formação da sua equipe e selecionou homens pouco comprometidos com o sucesso da missão. Assim, logo na primeira semana todos davam pouca atenção ao barco e ficavam jogando Strip Poker no porão. Cabral, até então um menino português inocente, se apaixonou pelo jogo e logo estava participando.

Desta maneira, o barco se desviou alguns milhares de quilômetros, coisa pouca. Quando subiu ao convés, só de cueca, Cabral viu que se aproximavam de uma terra estranha e ficou preocupado. "Será que vendem Xbox aqui?". Logo Pedrinho entendeu que se tratava de uma terra nova, desconhecida, e percebeu a importância da sua descoberta.

Chegando no Brasil, Cabral disse a famosa frase, conhecida por todos até hoje: "este é um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade". Mas, enquanto ainda estava deixando pegadas na areia, lembrou que o Rei talvez gostasse de saber da nova terra. Foi então atrás de Pero Vaz de Caminha. Quando o encontrou, Caminha ficou desanimado.

- Ah, nem vem com esse trocadilho de merda de 'tatu caminha dentro?' mais uma vez que já tô de saco cheio, Cabral. Desde Portugal escutando essa bosta não aguento mais.
- Não, não. Você é jornalista, não é? Tem diploma? Quer fazer um freela?
- Sou, sou sim! Quero! - Os olhos de Caminha brilhavam. - Mas você vai pagar o preço do sindicato, né?
Cabral começa a rir sem parar e precisa de um copo d´água.
- Tá bom, tá bom, faço por metade... O que vai ser?
- Escreve uma lauda aí pro Rei dizendo que a gente descobriu uma terra nova, conta que eu vou chamar de "Ilha de Vera Cruz".
- Certo, certo.
- Só mais um coisa, Pero.
- Diga, Cabral.
- Tatu caminha dentro? - Cabral se contorce de dar risada e vai embora.
- Filho da puta, resmungou Caminha.

Assim, toda a tripulação desceu em terra firme enchendo a cara ao som de "We are the Champions". Depois de uma tarde inteira de festa, todos já estavam bêbados. Quando já anoitecia, um dos homens de Cabral gritou "porra, eu vi uma mulher com pelada no meio do mato". Os outros não acreditaram, mandaram tirar a 51 da mão dele. "É só o Caminha dando uma mijada lá, você tá vendo coisa já". Cerca de 15 minutos depois, outro homem disse ter visto alguém pelado, só que dessa vez um homem. "E ele tava com a sua flecha enorme na mão". Os outros ironizaram "Enorme, é? Bom, pelo menos agora a gente já sabe que não é o Caminha".

Por outro lado, com o passar das horas, a idéia de que existiam pessoas no meio do mato, observando, passou a ser levada a sério. Preocupados, os marinheiros portugueses levaram uma série de questões. "Será que são civilizados? Será que são canibais? Será que são amigáveis? Será que devemos fazer contato? Será que vão gostar de nós? Será que sabem jogar Strip Poker?".

Cabral, líder da missão, foi conversar com os índios. Voltou desanimado. "Galera, parece que alguém chegou antes da gente e já jogou Strip Poker com eles. E pelo jeito os caras eram bons, deixaram todo mundo pelado aqui". "Além disso, não dá pra entender nada do que eles falam e os homens não tem barba, aquelas Gillettes que a gente trouxe de Portugal eles nem vão querer comprar".

Todos ficaram tristes e disseram querer voltar logo para Portugal. Mas Cabral, insistente, resolve tentar mais uma vez se aproximar dos nativos. Fez mímica e convidou um índio para experimentar uma pinguinha. Quando percebeu, estavam todos juntos, confraternizando. Os portugueses aprenderam a "dança da chuva", adoraram e concordaram que aquele poderia muito bem ser o pancadão do próximo verão. "Quase tão bom quanto créu", afirmou Cabral. Muitos portugueses se deram bem com as índias usando cantadas inéditas para elas como "você vem sempre aqui?" ou "tá quente aqui ou é só você?". "Como esses rapazes são românticos, divertidos e criativos!" diziam as índias.

No final da noite, todos já eram amigos e até os índios estavam perguntando se "tatu caminha dentro?" para Pero Vaz. Quando todos acordaram no dia seguinte, com uma ressaca monumental, os portugueses decidiram que infelizmente precisavam voltar pra casa. Deixaram umas pingas para os novos amigos que, com lágrimas nos olhos, acenavam para o navio que ia embora. Demoraria 30 anos para que Portugal resolvesse colonizar o Brasil. Nessas três décadas, ficou apenas a saudade no coração daqueles que presenciaram um encontro tão bonito entre dois povos diferentes. Era o nascimento do Brasil.

Barangar ou não barangar, eis a questão

Na tarde desta terça-feira, enquanto a metade mais macha da nossa redação jogava truco e a outra metade, duvidosa, brincava no karaokê ao som de "quem me dera ser um peixe, para em teu límpido aquário mergulhar", recebemos um telefonema inesperado. Era o ator global Reynaldo Gianecchini. Ele disse ter lido a nossa reportagem sobre Geraldo Alckmin e argumentou que pegar mulher feia é algo de se admirar. Veja a conversa que tivemos com ele.

Equipe do PG em mais um dia de trabalho árduo na redação.

Fala Reynaldinho!
Opa, então, eu queria defender o Alckmin.

Desliga o karaokê aí, pô! Não tô ouvindo nada.
Que karaokê?

Ah, o pessoal aqui que gosta do Fagner. Mas então, meu caro, o que tá rolando?
Eu queria dizer que pegar mulher feia é normal, todo mundo pega, vocês não podem criticar o rapaz por isso.

Bom, você já pegou a Marília Gabriela, a Preta Gil, tem experiência...
Pois é, pois é. E foi bom. O pessoal fala muito de mulher feia, falam que é que nem ventania, só quebra galho. Eu discordo. Comparação por comparação prefiro dizer que mulher feia é que nem fotografia, só se revela no escuro.

Muito bom! Você sabe mais máximas assim sobre mulher feia?
Ah, tem várias que se diz por aí. Que mulher feia é que nem pantufa, dentro de casa é uma delícia mas quando a gente saí na rua dá uma vergonha enorme... Que é que nem pombo correio, não importa onde você largar sempre sabe voltar pra casa. Outro dia me disseram que mulher feia é que nem muro alto, no começo dá medo mas depois a gente acaba trepando.

Mas você gosta por que então?
Porque sou da filosofia de que quem come de tudo tá sempre mastigando, certo? No começo pegava as feias de brincadeira, só pra sacanear apostando com os amigos quem era mais corajoso. Eu sempre ganhava, até que me deram o troféu "Achei meu pau no lixo - Birigüi 1990". Acabei viciando. A galera falava "Ei Rey, você não tem medo de ser levado pra delegacia da mulher?". Mas eu nunca bati na cara de ninguém, pegava o negócio assim de fábrica mesmo, o pessoal que não acreditava. Mulher feia é uma maravilha, meu amigo. Não precisa ter ciúmes. Afinal, você não bota alarme em Fuscão 73, né? E é bom, elas sempre fazem amor como se fosse a última vez. Por que a chance de ser nunca é nula, você sabe. Nunca se sabe quando vai aparecer o próximo desbravador.

Essa lei de tolerância zero do álcool deixa você, como defensor da barangagem, preocupado?
Muito! Se o pessoal parar de beber demais, imagine quanta mulher feia vai ficar sem sexo. O governo devia se preocupar com as conseqüências sociais das suas atitudes antes de sair fazendo leis. Ainda mais o Lula, que tem que encarar a Marisa todo dia.

Casar com mulher feia vale a pena também?
Ah, vale. Dizem que marido de mulher feia tem raiva de feriado, que carro de cara casado com mulher feia sempre tem insulfilm. Mas vê, mesmo que o cara fique com medo de voltar pra casa pode ser bom. Vai que você começa a se dar com o pessoal do sindicato e vira presidente?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Alckmin volta para vida boêmia

Após perder as eleições para o presidente Lula em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin entrou em uma decadência que assustou os seus amigos mais próximos. O primeiro episódio desta crise aconteceu quando Alckmin comprou dezenas de garrafas de Pirassununga 51 e convidou vários amigos da política para uma festa na sua casa. Ele teria dito a Marta Suplicy que "selinho não pega nada" e avançado sobre a petista. Isso causou desconforto e Alckmin foi censurado pelos tucanos, sendo jogado para segundo plano no jogo político interno do PSDB.

Meses de perdição

Alckmin ficou perdido na vida. Feito um garoto inconseqüente, roubou placas de "Pare" nas ruas, destruiu orelhões, fumou do bom e do ruim, pegou mulher feia só pra sacanear e tacou fogo em índio. Um dos amigos de Alckmin que pediu pra não ter seu nome publicado disse que o ex-governador costumava dizer que "mulher feia é que nem pernilongo, só sossega no tapa, por isso que eu gosto". Mas o amigo garante que, até então, ele nunca tinha praticado o homossexualismo.

Alckmin: "Eita manguaça braba, rapaz"

Tudo mudou quando Ruth Cardoso morreu, algumas semanas atrás. Fernando Henrique Cardoso, ainda chocado com a morte da esposa, recebeu uma ligação de Geraldo. "Fernandinho, eu fiz uma poesia pra você: lembra das diretas já? / quando tava todo mundo lá / em cima do palanque discursando / todo mundo suando, se abraçando / aquele amor, aquele calor humano / fernandinho, eu não me engano / você também gosta de mim / vem aqui no meu apê ficar agarradim?". FHC, revoltado, teria dito "olha, tudo bem você ser gay, mas vai aprender a fazer poesia, essa que você disse tá uma grande porcaria".

Preocupado, FHC ligou para os amigos do partido e resolveu que algo teria que ser feito "pelo nosso menino Gera". Decidiram que ajudariam o ex-governador e que investiriam na sua campanha para prefeito. "Mas nada de papo de selinho não pegar nada com a Marta nos debates, certo?" teria dito FHC a ele. "E no Kassab, pode?" respondeu Alckmin com brilho nos olhos.

Alckmin volta para as ruas

Entretanto, Geraldinho, menino peralta, já voltou para a vida desregrada. Sábado, teria enchido a cara novamente e dito para os amigos que ia pegar a mais feia da festa. Dito e feito, Alckmin escolheu a sua princesa e teve uma noite de amor, drogas e álcool com a gata. Quando já estava amanhecendo, ele e a moça sairam para uma droga ainda mais pesada: um dogão na região da Praça da Sé. Aparentemente, a dosagem foi grande demais para o pobre corpinho de Geraldo. Ele teve uma intoxicação e foi parar no Hospital. Não há risco de morte. Sua assessoria tentou ser otimista "ao menos quando ele acordar não vai ter que ver aquela criatura que ele pegou juntinho com ele".

O PG gostaria de expressar o seu apoio ao candidato Alckmin nessa caminhada contra o alcoolismo e a barangagem. Nós sabemos que mulher feia é feito circo, debaixo dos panos é que faz o espetáculo, mas acreditamos que tal postura não fica bem para um homem da sua reputação. Ele foi convidado para beber uma cerveja na redação conosco e contar da sua luta. Aguardamos ansiosos.

domingo, 27 de julho de 2008

Lá vem o negão

Lá vem o negão
cheio de paixão
te catá, te catá, te catá

Barack Obama esteve recentemente em turnê na Europa, espalhando o seu carisma e o seu charme. Com a elegância de um Richard Gere tostadinho, o gentleman que deseja ser presidente dos Estados Unidos foi recebido com pedidos de casamento e calcinhas com marcas de batom na Alemanha, onde discursou e convocou todos os povos a uma união contra o terrorismo, a intolerância, a guerra e a Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo.

Antes de ir embora, Obama foi atacado por uma fã alemã, que perguntou sobre a possibilidade de "um programinha light" naquela noite. "Cineminha, jantar e motel, que tal?" perguntou ela. Empolgado, Obama respondeu "Yes, we can!" e deu o seu número de telefone. "Kisscallme", completou ele. Um alemão rapidamente exclamou "Beijomeliga? Esse yankee tem Orkut!" e perguntou se poderia adicionar Obama à sua lista de amigos. O candidato respondeu, sem pestanejar, "Yes, you can!". "But only if you send me a scrap, baby" disse já se retirando.


Obama: "De que adianta barriga de
tanquinho se a torneira for pequena?"


O povo se despediu do americano com uma enorme faixa onde era possível ler "Obama ist sehr heiß". Em português, isso significa: "O Obama é um homem sábio, inteligente, que certamente conseguirá conduzir a grande nação americana pelo caminho da verdade e do bem. Além disso, ele é um negro forte e sarado".

Mas os brasileiros preferiam Hillary

Ser corno ou não ser,
eis a minha indagação
por você vivo sofrendo
pelos botecos bebendo
arranjando confusão


Entretando, no Brasil, as pesquisas apuravam uma preferência por Hilary Clinton entre os democratas. Segundo especialistas, essa preferência se relaciona com a pena que o brasileiro sente dos cornos e à admiração do homem brasileiro pela postura adotada pela senadora ao continuar com Bill Clinton. "Um verdadeiro exemplo para as mulheres do mundo inteiro, uma senhora que sabe que aquilo que Bill fez não foi traição, foi só um carinho, uma maneira de se aproximar da sua equipe na Casa Branca" disse ao "Pensamos Grande..." um senhor que pediu para não ter seu nome revelado.

Déjà-vu

Mas Obama também consegue agradar o brasileiro, especialmente a classe política. "O Obama é demais. Acho a mulher dele um charme também, se tivesse nascido no Brasil ia ser a globeleza, tenho certeza", disso ao PG o deputado federal Clodovil Hernandes. Outro que se pronunciou sobre ele foi Paulo Maluf. O político de São Paulo disse à imprensa, na semana passada: "se o Obama não for um bom presidente, nunca mais votem em mim!".

Cada país tem o Obama que merece

O PG dará ampla cobertura às eleições americanas.
.

sábado, 26 de julho de 2008

Lei de Smurfs

Em meio a correria do dia-a-dia da redação do PG, alguns talentos passam despercebidos, até mesmo para os próprios donos do Dom. Foi o que aconteceu com Bruno Ceccon, chefe da sessão de publicidade do PG. Com a pane na internet de algumas semanas atrás, o publicitário não pôde ocupar seu tempo jogando Paciência Spider, o que obrigou-o a pensar em uma propaganda para o PG. Como não conseguiu pensar em nada que não envolvesse mulheres nuas e chopp, Bruno começou a fazer caricaturas dos colegas. De caricaturas, passaram a personagens, vivendo emocionantes histórias, mas sem nenhum cão "esperto pra cachorro", pra decepção dos fãs da Sessão da Tarde. Mas estamos trabalhando na questão.

Bruno passou de chefe da sessão de propaganda para cartunista, ganhando agora 1/12 do salário que ganhava anteriormente, e perdendo seu direito a vale transporte. Além disso, levou alguns de seus funcionários, também enjoados de Paciência Spider: Metal, Surf, Alexandre e Allan, os quais chamou carinhosamente de "equipe", apesar deles chamarem Bruno de "aquele autista viado", pois agora também ganham 1/12 da miséria que já ganhavam antes.

Assim, temos orgulho em inaugurar, com os quadrinhos do Lei de Smurfs, a sessão de quadrinhos do PG!
Rumo ao Sudoku e Palavras Cruzadas!

Não enxerga? Compre um óculos, ou clique!

Seu Orlando Responde

"Seu Orlando, minha pergunta é a seguinte: meu melhor amigo fuma maconha e me oferece toda vez que eu o vejo. Quando peço o apontador emprestado, este vem cheio da erva. Será que eu devo aceitar... Dar uma experimentada?"
GK, o Curioso.


Rapaz, vou te dar um conselho, baseado em fatos reais: fume mas não trague. Se não você pode ficar que nem o menino do Fantástico, meu pai do céu! Grande programa, aliás... Não melhor que o Raul Gil, mas preenche o vazio deixado pelo "Topa Tudo Por Dinheiro" no meu coração.

Mas atenção: desconsidere meu conselho se sua área for a de humanas. Nesse caso, você deve aprender a cultivar a Cannabis imediatamente, vai estender horrores o diâmetro do seu círculo social na faculdade! Muito melhor que Orkut!

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Dia desses, estava eu indo para o Rio, quando tenho a honra de sentar ao lado de Danilo Gentili, repórter do CQC. Como o PG e o CQC, além de siglas, são veículos jornalísticos muito sérios e respeitados, rolou uma grande química entre nós. O rapaz estava lendo o livro de auto-ajuda da Ana Maria Braga. Foi então que pensei "esse menino deve estar muito desesperado!". E assim abençoei-o com meus sábios conselhos. Danilo ficou tão agradecido que até fez um vídeo para mim no YouTube, com o delicado pseudômino de "Sr. Vitrola", provavelmente por eu ter contado para ele a experiência transcedental que tive ao ouvir o disco "Côncavos e Convexos" do Rei...


Danilo, um menino sapeca, hehe.


Dúvidas? Crise? Desespero? Não vire emo! Mande um e-mail para pensamosgrandemasnaocabeaqui@gmail.com que Seu Orlando responde (assim que terminar sua partida de xadrez na praça, é claro).

Esporte alivia tensões regionais

Faltando poucos dias para o início das olimpíadas de Pequim, ainda existem discórdias no que se refere à composição da delegação brasileira. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, ainda enfrenta dificuldades para formar as equipes que irão ao evento. O "Pensamos Grande..." apurou quais os momentos mais delicados.

Entre os maiores problemas que aconteceram, destaca-se o sofrimento do COB para conseguir montar a equipe de Tiro ao Alvo. Inicialmente, foram escolhidos atiradores de elite da polícia carioca. Mas depois que os atletas mataram o técnico, dois observadores do COB, uma faxineira que trabalhava no centro de treinamento e um cachorro vira-lata que passava pelo local sem acertar nenhum dos alvos, todos foram dispensados. Nuzman propôs então uma equipe mista, recrutando atletas por todo o Brasil. "Veio um monte de gente do Pará, melhor ir para as olimpíadas do que ficar matando freira" disse o presidente do COB.

Gostando dessa idéia, Nuzman percebeu que poderia ajudar a aliviar os problemas nacionais oferecendo o esporte como alternativa àqueles que poderiam estar causando problemas. Desta maneira, convidou índios caiapós para a ir até a China participar das competições de canoagem. A Eletrobrás comunicou que os seus engenheiros estão felizes com a decisão. "Melhor esses índios na China do que aqui esfaqueando os outros", disse ao PG o diretor da regional do CREA em Altamira.

Segundo Nuzman, o COB está muito feliz com a presença dos índios, mas existem receios na organização. A Olympicus, patrocinadora oficial do Comitê, está muito preocupada. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o problema está ligado ao fato das bermudas Adidas, empresa concorrente, fazerem parte da cultura indígena. "Não se tem notícia de uma única foto em uma tribo sem ao menos um índio com uma bermuda dessas", disse a assessoria em nota. Assustada com a possibilidade de ver membros da delegação usando roupas de outras marcas, a empresa faz pressão contra a presença dos índios. Além disso, Nuzman estaria preocupado com as competições. "Você imagina um índio desses indo disputar com um dinamarquês qualquer... Imagina o perigo da criatura gritar ´homem branco, homem branco!` e sair com a faca na mão pra cima do cara? Como vamos explicar?" disse ele a alguns interlocutores nessa semana.

Assim como no Tiro e na Canoagem, o COB se esforçou para montar boas equipes no Triatlo. A solução encontrada foi convidar sacoleiros da região de Foz do Iguaçu, especialistas tanto em rápidos deslocamentos sobre a Ponte da Amizade quanto em movimentações nas águas caudalosas do rio Paraná quando a Receita Federal fecha o cerco na alfândega. Eles estão participando de um rigoroso programa de treinamento em um curso intensivo. Segundo os responsáveis pelas aulas, foi difícil convencer os participantes de que não era uma boa idéia "molhar a mão" da equipe do Comitê Internacional para conseguir medalhas. "É uma pena, com a Receita funciona tão bem..." disse um dos sacoleiros ao PG. Além disso, correr sem nenhuma carga é um desafio para os atletas. Um dos membros do COB comentou sobre essa dificuldade: "Na primeira semana fomos treinar. Um dos competidores saiu do ponto de partida só com o uniforme do COB e, quando passou no ponto de chegada, encontramos escondidos em baixo das roupas dele dois notebooks, um Playstation e cinco máquinas fotográficas da Sony. Mas eles estão aprendendo...".

O PG torce pela delegação brasileira e fará ampla cobertura dos jogos olímpicos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Seu Orlando aconselha

Olá, amigos! Meu nome é Orlando, mas todo mundo me chama de Seu Orlando. Tenho 71 anos e já fiz de tudo um pouco nessa vida. Quer dizer, quase tudo, porque me considero um homem muito conservador. Nasci muito pobre, então tive que me virar. Trabalhei em um monte de lugares, até como motorista de madame. Felizmente, ganhei muito dinheiro montando um restaurante italiano. Sou muito ligado à Itália, todos dizem que eu tenho cara de italiano. Hoje estou aposentado e passo os dias jogando golfe, meu hobbie.

Seu Orlando, o italiano, campeão de Golfe.

Hoje inauguro minha coluna no "Pensamos Grande...", dando conselhos aos leitores que enviam suas angústias. Envie a sua pergunta para pensamosgrandemasnaocabeaqui@gmail.com!
Seu Orlando, meu mestre, estou apaixonado pelo meu melhor amigo, mas não sei como dizer para ele. Como posso conquistar meu amor?
Rodriguinho, 17 aninhos, Alegrete (RS)
Rodrigo, na minha época homem gostava de mulher e a gente tinha que pedir a mão da moça em casamento para conseguir o que a gente queria. Era horrível. Hoje vocês podem fazer qualquer coisa e não sabem aproveitar, ficam brincando de guerra de esgrima. Eu não entendo.

De qualquer jeito, hoje estou menos preconceituoso. Tenho um neto da sua idade que outro dia apareceu com o cabelo no olho, todo estranho. A minha filha, mãe dele, já tinha me dito que ele estava com umas conversas esquisitas. "O Juninho me disse que tinha virado homo" ela me contou. Chamei o garoto aqui na minha casa e a gente teve uma conversa de homem pra homem. Que história é essa? Ele me contou que não era homo, era emo. Perguntei qual a diferença e ele disse que emo é homo de brincadeirinha. Fiquei bem mais tranqüilo. Mas o susto me fez aceitar um pouco mais que tem gente que gosta do buraco errado.

Então convide seu amigo pra ir assistir Brokeback Mountain. Se ele se empolgar convide o rapaz pra ir passear pelas coxilhas gaúchas com você, pergunte se ele não quer fazer uma versão brasileira do filme. Fale que vocês vão ficar famosos, ganhar prêmio no festival de Gramado. Vocês são do interior também, podem usar aquela música "Cowboy Viado" como trilha sonora. O filme vai ficar uma porcaria e vocês não vão ganhar nada em Gramado, mas quem é que sabe o que não pode acontecer nos gramados dos pampas entre vocês, não?

Também quer pedir conselhos? Escreva para nós! Mande um email para o endereço pensamosgrandemasnaocabeaqui@gmail.com e diga que é para o Seu Orlando. Ele responderá suas dúvidas existenciais.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Amor e brigas na Rodada Doha

Nenhum entendimento entre os representantes do 35 países envolvidos no esforço de destravar as negociações da Rodada Doha em Genebra, na Suíça. Na madrugada desta quinta, o diretor da Organização Mundial do Comério (OMC), Pascal Lamy, cansado da "zona que é ficar ouvindo toda essa gente", decidiu que seria mais proveitoso reunir apenas os sete representantes mais significativos do comércio global (Estados Unidos, União Européia, Japão, China, Brasil, Índia e Austrália) para uma reunião. "Um negócio bem VIP", disse Lamy com um sorriso malicioso a cada um dos representantes desses países.

Os sete foram, então, até o quarto de Lamy no hotel. Um hóspede disse ao "Pensamos Grande..." ter ouvido conversas obscenas entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim e um interlocutor desconhecido por ele pela tarde de ontem. "É bacanal hoje no apê do Pascalzinho, não esquece!" teria dito Amorim. Ainda no elevador, surgiram constrangimentos quando o representante americano disse que era "absurdo" que Lamy tivesse convidado gente do Japão e da China para a festinha no seu quarto. "É uma questão de tamanho, você sabe... Ainda bem que a gente ignora a África e não chama ninguém de lá, imagina o constrangimento que o japa ia passar quando o negão resolvesse perder a timidez..." disse ele ao ministro australiano, ironizando. A fofoca levou essas declarações até o representante japonês, que não quis mais participar da brincadeira e foi embora. Assessores tentavam conter o seu choro, mas ele não quis sair do seu quarto hoje pela manhã. "Me deixem!", ele teria dito.

Na noite de "loucuras internacionais no apê do Lamy", como o encontro ficou conhecido, existiram momentos de diversão e momentos de desentendimento. Todos os participantes adoraram o "Trem da Alegria" que circulou pelos corredores do hotel, assustando os outros hóspedes. "Foi uma pornografia sem tamanho, meu filho de 5 anos ficou perguntando o que eles estavam fazendo sorrindo e sem roupas" disse uma turista espanhola. Entre aqueles que viram a cena, encontramos um brasileiro. Pelo telefone, ele nos disse "Barbaridade, vi aquilo e fiquei louco pra participar, tchê! Trilegal o trenzinho dos rapazes!". Segundo assessores do ministro Celso Amorim, o representante americano aumentou a voz e disse "eu represento a América, eu sou a locomotiva, eu sou a locomotiva!". Além disso, o americano teria adorado o sotaque do brasileiro gritando "piuí, piuí, piuí" pelo corredores. "Uma gracinha!".

Entretanto, nem tudo foi diversão. Quando a madrugada já avançava e todos estavam deitados na cama king size de Lamy, o representante europeu, um francês, lembrou que no dia seguinte todos teriam que discutir novamente temas sérios de comércio internacional. Ele teria provocado o brasileiro dizendo "vocês tem muitas exportações para a Europa, principalmente travestis e jogadores de futebol". O australiano ironizou "e de vez em quando parece que os jogadores de futebol de vocês se encontram com os travestis, não é verdade?". O americano começou a gargalhar. Isso causou fúria no ministro Celso Amorim, que colocou novamente a sua cueca verde e amarela da Mash e disse "vocês são uns canalhas que não merecem o meu carinho". Ele continuou dizendo "E vocês exportam o que na América? Tênis Nike fabricado com serviço escravo chinês?". Em poucos minutos, a brincadeira do europeu evoluiu para uma divisão entre os participantes da festa de Lamy, que tentava, em vão, acalmar a todos. Os represententantes do terceiro mundo, ofendidos, foram embora do quarto. Analistas acreditam que esses ressentimentos sexuais impedirão a evolução nas negociações nos próximos dias.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Obituário: Dercy Gonçalves

"É tão estranho
os bons morrem jovens
assim parece ser
quando me lembro de você..."

Morreu, no sábado, a grande Dercy Gonçalves. Nascida em 1907, Dercy participou ativamente da história brasileira. Em 1929, aos 22 anos de idade, se dizia louca por um homem de farda e participou de muitas atividades físicas com os militares nos quartos dos quartéis de exército. Desta forma, se aproximou dos tenentes e, no amigo secreto da corporação no final do ano, disse "meu amigo tem um fuzil bem grande, mas ele é um paulista viadinho egoísta, disse que me queria só pra ele". Isso teria criado uma confusão no recinto, onde se ouviu gritos de "chega de egoismo dos paulistas que sempre querem tudo só pra eles!", "o poder tem que ser dividido" e os simples porém eficientes "ei, São Paulo, vai tomar no cu!" e "ado, aado, em São Paulo só tem viado!"

Assim, ocorreu a Revolução de 1930. Os tenentes, ala jovem e esclarecida da sociedade, ajudaram a derrubar Júlio Prestes e deram o poder a Getúlio Vargas, homem por quem Dercy logo se apaixonou. Eles tiveram um caso e, em 1950, ela foi a autora do slogan "é Getúlio de novo, com a força do povo", que emplacou e resultou na volta do presidente ao poder. "Deixa o homem trabalhar", ela costumava dizer.

Dercy, entretanto, não conseguia se satisfazer com apenas um homem. Conheceu, em uma festa no jornal Tribuna da Imprensa, o garanhão Carlos Lacerda, famoso político, jornalista e pegador. Ele teria dito a Dercy "Essas são nossas maquinas de escrever, onde trabalhamos todos os dias. Jornalista ganha pouco, meu bem, mas sabemos usar as nossas mãos bem como ninguém". Isso a teria deixado muito curiosa e noites de sexo na redação escura do jornal foram inevitáveis. Em uma das noites Dercy sentou sobre uma das chapas que seriam impressas no dia seguinte, fazendo com que os leitores encontrassem duas nádegas ao invés de uma reportagem especial sobre a importância dos rituais cristãos no Natal.

Isso causou ciúmes em Vargas, que ficou profundamente deprimido quando reconheceu a bunda de Dercy. "Logo a bunda, logo a bunda!", teria dito ele ao seu amigo e segurança Gregório Fortunato, um negro alto, com braços enormes, pernas enormes e "muito mais coisas enormes", segundo Dercy, que secretamente também tinha feito sexo com Fortunato. O segurança, cheio de ciúmes, tentou matar Lacerda, "porque com o chefe tudo bem, mas com esse jornalistazinho eu não vou aceitar jamais!". Gregório, como bom agente da segurança pública carioca, criou a tradição de atirar e matar a pessoa errada, que é mantida até hoje pelos tradicionalistas policiais cariocas. Constrangido com o seu erro, ele confessou a bobagem a Getúlio, contando também do seu caso com Dercy. "E como geme, né?" ele teria dito. O presidente não aguentou o sofrimento e se matou.

Alguns anos depois, tentando esquecer o episódio, Dercy, com vontade de conhecer o Brasil, resolveu viajar por todos os cantos desse país. Quando estava fazendo um safari pelo cerrado do planalto central, reclamando com os guias "cadê as porras dos elefantes e das girafas que me disseram que tinha?", conheceu um belo homem, Juscelino Kubitschek. Eles fizeram sexo selvagem loucamente nos matos do planalto, e JK prometeu, apaixonado, "Dercy, um dia ainda vou ser presidente e vou fazer desse lugar a capital do Brasil em homenagem às noites que estamos vivendo aqui". Dercy riu e disse "Juju, você é bem maluco". Cansada dele, Dercy voltou para o Rio, tendo dito anos depois que JK era ruim na cama. "Aquela coisa de 50 anos em 5 mostra bem como ele era apressadinho demais, queria fazer 50 minutos em 5, era uma bosta, mandei ele pra puta que pariu".

Nos anos seguintes, Dercy continuou se envolvendo com gente importante, mas agora se dizia cansada de políticos. Entre os homens que ela comeu ("porque esses caras que me apareceram eram todos uns bichinhas, eu tinha que fazer tudo, era mais macho do que eles"), estão Roberto Carlos ("ele não tinha uma perna, se a gente continuasse fazendo sexo toda hora por mais uns anos ia ficar sem pinto também, era insaciável"), Chacrinha ("vocês não sabem as coisas horríveis que aquele homem fazia com os abacaxis que levava pra casa") e, voltando aos políticos, Paulo Maluf ("o homem do minhocão", lembrava ela).

Nos anos recentes, Dercy, já cansada após tantos anos, teve breves casos com Oscar Niemeyer ("o JK tinha contado pra ele dos motivos reais da construção de Brasília, o safado veio aqui dizendo que 40 anos depois ainda tava curioso pra saber como eu tinha conseguido deixar o presidente daquele jeito") e até com o Papa João Paulo II ("ele já tava com Parkinson e eu achei que aquele treme-treme todo na cama até podia render novas experiências... foi legal, mas esse pessoal católico demais é ruim de cama, ficam cheios de pudores, uma merda") numa visita a Roma.

O Brasil lamenta a morte desta grande mulher.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Teste do Inmetro: Religiões

O falecimento de Dercy Gonçalves, a manutenção do Orkut e o triste fim do nosso querido Opala nos deixou carente de um ídolo, de uma razão para viver e de um templo sagrado, respectivamente. Após analisarmos contratos e orçamentos de diversas religiões, nos demos conta que nenhuma satisfazia nossas necessidades. Então convidamos o Inmetro para analisar a qualidade das principais fés disponíveis no mercado.

1° Teste: Deveres, exigências e proibições

- Igreja Católica: aprovada
Apesar de algumas cláusulas abusivas encontradas no contrato, tal como 10 mandamentos e 7 pecados capitais, a desvalorização que o perdão vem sofrendo e a entrada no mercado de outras religiões obrigou a Igreja a tornar-se mais flexível.

- Igreja Evangélica: reprovada
Aqui temos uma situação curiosa: embora o perdão seja muito mais barato (o que explica a grande concentração de ex-atrizes-pornô, ex-serial-killers, ex-apresentadores-de-programa-infantil, ex-trapalhões e jogadores de futebol nessa religião), a chantagem emocional praticada posteriormente, do tipo "agora que eu te dei perdão, você tem que me dar sua alma", também praticada em casos de traição, complica muito a vida do fiel.

- Judaísmo: aprovado
Circuncisão, estado vegetativo aos sábados e nem pensar em feijoada seriam fatores decisivos para reprovação da religião no teste. No entanto, o lobby feito pelos carecas, que gostam do "chapeuzinho engraçado", o famoso open bar mitzvah e a permição de surrupio de gravatas superaram os contras.

- Islamismo: reprovado
À primeira vista, o islamismo parece ideal: poligamia, bombas e dança do ventre. Mas analisando com maior atenção, as vantagens tornam-se revés muito piores do que pagar 50 ao banco, ou ir para cadeia. Manter duas ou mais mulheres debaixo de um mesmo teto, ao lado de um mesmo homem e próximas a um razoável número de faqueiros revela-se uma combinação letal. As bombas parecem divertidas até você ter que explodir-se com elas. E a parte da dança do ventre é lenda: mais uma mentira criada por novelas da Globo (assim como a existência do Acre).

2° Teste: Promessas/Recompensas

- Igreja Católica: reprovada
O contrato diz claramente que a recompensa só é entregue após a morte. E atualmente a Igreja avisa que, devido a freqüentes greves dos Correios, esse prazo está sujeito a alterações. As indenizações prometidas para crianças que efetuaram algum tipo de troca/acordo com padres, raramente são entregues. Além disso, recentemente foi comprovado que GPS guia melhor que Deus, fazendo outra promessa da Igreja cair por terra (ou mar).

- Igreja Evangélica: aprovada
Basta você ter fé e doar 70% do seu salário para conquistar o amor da sua vida, salvar seu casamento, curar o câncer, vencer a Aids, ganhar na loteria, fundar uma multinacional, ganhar dinheiro na Bolsa, sair da cadeira de rodas, voltar a enxergar, sair da depressão e fazer seu time voltar pra primeira divisão.

- Judaísmo: reprovado
Pães caem do céu, mares se abrem, terra prometida... seriam ótimas recompensas, se não fosse o aquecimento global. As mudanças climáticas diminuíram drasticamente a precipitação de pães, enquanto o aumento do volume dos mares inutilizou o cajado. Já a terra prometida está sendo disputada na Justiça por quatro grupos: judeus, palestinos, índios e arrozeiros. Além disso, também sofre freqüentes invasões do MST.

- Islamismo: reprovado
Treze virgens esperando no céu - seria aprovado se fosse somente para uso masculino. Mas não há nenhuma menção às mulheres no contrato. Elas não seriam recompensadas? Ou também receberiam 13 virgens no céu? Ou ainda: tornariam-se virgens ao morrer? A falta de clareza no contrato foi o fator decisivo para a reprovação da religião.

3° Teste: Punição

- Igreja Católica: aprovada
Antigamente muito rígida, a Igreja parece ter mudado sua postura perante a humanidade assim que parou de queimar as pessoas. Foi a partir desse momento que o purgatório foi reformado, redecorado e tornou-se um ambiente agradável e propício para o arrependimento. O inferno também passou por mudanças, ganhando uma lan house, uma academia e 230m² de área verde.

- Igreja Evangélica: aprovada
O inferno da Igreja Evangélica, baseado em modelos antigos, promete "queimar eternamente no fogo do diabo", mas com a crise dos combustíveis o serviço foi suspenso por tempo indeterminado, não havendo, assim, punição.

- Judaísmo: reprovado
O inferno é em vida e intinerante: já foi no Egito, na Alemanha, Polônia... Além disso, a todo momento aparece alguém com raiva dos judeus. Esses fatores também fazem com que o seguro de vida seja mais caro.

- Islamismo: reprovado
O Inmetro leu 1/4 da lista de punições previstas no Alcorão. Com sono, os especialistas resolveram reprovar com o argumento de que "tudo em excesso é ruim". E incluíram a rede Al Jazeera na lista de punições aos islâmicos.

Bug do Orkut aumenta produtividade nacional em 253%

O site de relacionamentos Orkut, líder no Brasil, está fora do ar desde a tarde desta segunda. Segundo pesquisas preliminares do Ibope, a sua parada para manutenção já representa um aumento de produtividade de 157% entre jornalistas, 234% entre advogados, de 545% entre secretárias e recepcionistas e de incríveis 1267% entre funcionários públicos.

Segundo o Ministério da Justiça, desde a tarde de hoje 20% dos processos esperando nos tribunais já foram estudados. O ministro Tarso Genro já trabalha com a possibilidade de entrar em contato com os responsáveis pelo Orkut. "Uma semana sem ele e a gente acaba com a lentidão nos tribunais", disse o ministro. Tarso Genro, conforme já noticiado aqui, gosta muito de redes sociais.

A indústria também apresenta bons sinais. A exportação no mês de julho deve superar em 23% as previsões. Segundo José Pederneiras, operário de uma fábrica no interior de São Paulo, "Eu nem sabia que a gente tinha um engenheiro responsável aqui, hoje de tarde ele apareceu e ficou enchendo o saco de todo mundo pra agilizar, dizendo como a gente tinha que fazer. Eu nunca tinha visto um negócio desses".

Em férias escolares, os estudantes podem ser afetados. Já estão ocorrendo crises de abstinência e o Hospital das Clínicas, em São Paulo, reservou uma sala para emergências. Até o fechamento da reportagem, 16 pacientes já haviam sido recebidos. Na sala, eles encontram papéis azul-calcinha onde podem escrever uns para os outros simulando scraps. Além disso, a enfermeira plantonista está organizando um jogo do "beijo ou não beijo", evitando reações de stress traumático com a queda do Orkut. Ela nos conta que, caso o sistema não volte logo, o Hospital irá contratar uma prostituta para fazer apresentações aos pacientes dizendo "veja eu e minhas amigas peladinhas fazendo sexo caseiro no site www.queropegarvirus.com.br".

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O dia em que virei pobre

Hoje, em matéria especial, a "Pensamos Grande..." publica um relato emocionante que chegou à nossa redação. O leitor, que pediu para não ser identificado, conta como foi trocar o almoço no Fasano por um pastel de carne "aquilo-que-não-mata-fortalece" da feira.

Tudo começou quando conheci Aninha. Naquela época, eu era um executivo com grande reputação em um banco internacional. Eu era um cara charmoso. Tudo bem que grande parte das minhas conquistas sexuais eram secretárias do escritório, que logo perceberam que é no motel que se toma as grandes decisões de recursos humanos nas corporações. Os motéis paulistanos, digamos, são quase agências de emprego.

No banco, a gente pode medir a competência de um profissional pela quantidade de pontes de safena já feitas. Eu estava na segunda, então vocês podem imaginar como eu era respeitado pelos meus colegas mais jovens. Eu tinha um belo currículo com grandes realizações (incluindo, em "habilidades profissionais", minha capacidade de elogiar com grande poder de convicção as belas gravatas dos meus superiores) e um belo Porsche.

E então surgiu Aninha. Aninha, obviamente, não era secretária, então me senti meio perdido quando percebi que aquela história de "vamos lá no meu apartamento que eu vou te mostrar o tamanho do meu memorando" não funcionaria muito bem com ela. Aninha era uma bela morena de olhos verdes que ganhava a vida como atriz de teatro. Atrizes são perigosas. Elas fingem orgasmo com uma facilidade que faz com que você, um Cafú dos lençóis, se sinta o Ronaldinho Gaúcho. Você fica perdido, sem saber se pode confiar.

Aninha tinha um jeito meio alternativo. Ela não parecia se importar com os meus convites para jantares caros. Ela gostava de Chico Buarque e quando a conheci ela estava animada contando da sua vontade de conhecer Budapeste. Eu devia ter percebido, só por essas coisas, que havia um abismo entre nós. Mas me apaixonei, tenho que admitir. Fiz concessões que jamais deveria ter feito. Várias vezes Ana apareceu no meu apartamento com um "casal" de amigos gays e, pra falar a verdade, por muito tempo senti medo de sentar naquele sofá (de couro, caríssimo) da sala do apartamento onde eu morava quando fico imaginando o que eles faziam por lá quando eu e ela entravamos no quarto. Além disso, um dia peguei um deles cheirando minhas cuecas. Ao invés de ficar constrangido, o infeliz teve a pachorra de me dizer "você sabe que o cheiro da pizza é ainda mais gostoso do que aquele que ela deixa na caixa, não?". E eu aguentava.

Depois de alguns meses de namoro, Aninha me abandonou. E foi para os braços de outro. Um sujeito que morava longe, não tinha dinheiro e usava desodorante barato. Como ela pôde trocar meu perfume Ferrari por um desodorante Rexona roll-on? Meu Porsche por Uno 97 que exigia ao menos seis meses prévios de academia de quem ousasse lutar contra as maçanetas duras para abrir as janelas? Meus ternos Armani por uma camisa do Brás? Meus presentes caros do Shopping Iguatemi por um vestido da José Paulino?

Essas perguntas ficaram em minha mente por muito tempo. Muito tempo. Decidi, então, que toda a minha vida simplesmente não fazia sentido. Aninha me mostrou que eu não precisava de muito dinheiro. Eu precisava dela. Eu queria ter filhos com ela, eles se chamariam Wellington e Geyse, nós morariamos na zona leste e seriamos muito felizes.

Entretanto, assim que abri uma garrafa de Johnnie Walker Blue a vontade passou. Vontade de ser pobre é algo que passa rápido, vocês podem acreditar.

De qualquer forma, não esqueci Aninha. E não consegui mais trabalhar direito. As coisas foram piorando até eu perder o meu emprego e ficar depressivo. Se eu ainda tivesse meu trabalho, tomar Prozac seria algo que até me daria algum status no mundo corporativo. Sem ele, perdi meu chão, minha vontade de viver, minhas secretárias sempre tão receptivas.

Freqüentei os lugares mais obscuros da sociedade paulistana. Conheci prostitutas da Augusta, caí bêbado e fui acordado por um mendigo da Praça da Sé, fiz amigos que estudavam ciências sociais. Essa combinação de sexo, álcool, moradores de rua e maconha não poderia ter feito bem. Perdi tudo. Voltei à estaca zero.

Eu precisava começar novamente. Consegui um emprego de vendedor nas Lojas Americanas e cada vez que um cliente levava um CD do Chico por 9,90 meu coração sentia saudades de Aninha e pena do Chico por perceber que ele era mais barato do que Bruno e Marrone.

Aluguei um apartamento pequeno e barato e aprendi a fazer coisas que nunca tinha feito na vida. Fechar pacote de bolacha com pendedor de varal, ter cartão da C&A, acreditar que pasta de dente nunca acaba e sempre dá pra tirar mais um pouquinho. Quando percebi, já estava contando para o meu vizinho como eu tinha economizado comprando meu sofá na super liquidação das Casas Bahia. Algum tempo depois ele tocou no meu apartamento, numa tarde de sábado, dizendo que tinha comprado uma mesa de segunda mão e que ele e o cunhado estavam precisando "de uma mãozinha" pra carregar "aquela belezura até aqui em cima". Pelo boa convivência entre os pobres do mundo, é claro que eu fui ajudar. E, devo dizer, só então descobri que é muito recompensador quando os pobres, já suados após o esforço de subir o móvel por vários andares arrancado lascas das paredes de metade do prédio, observam a mesa já colocada na sala e dizem, orgulhosos, "e não que ficou bão?".

Aprendi que no ponto de ônibus vale a lei do mais forte pra ver quem entrar primeiro e consegue um lugar sentado, que o bilhete único é para o pobre tão valioso quanto a certidão de nascimento, que pobre não precisa de academia porque está o tempo todo correndo atrás do ônibus que já está indo embora, que no fim da tarde os ônibus lotados poderiam me proporcionar experiências de calor humano quase tão profundas quanto as que eu tinha com as secretárias.

Foi quando percebi que eu estava pronto para Aninha. Agora eu percebia o que ele queria dizer com felicidade. Liguei para ela. Ela tinha terminado com o sujeito do Uno. O safado tinha outra. Rica, pagava tudo pra ele. Não era esse tipo de homem que Aninha queria. Eu sabia que tipo de homem que ela queria. Contei da minha nova vida, do trabalho nas Lojas Americanas. Tentei parecer confiante, feliz, um novo homem. Ela quis me ver. No encontramos. Estamos juntos até hoje. Nas férias vamos para a Praia Grande. Nos fins de semana vamos no shopping e pedimos duas casquinhas do McDonalds. Eu de chocolate, ela de creme. Eles tem uma promoção ótima, duas casquinhas por dois reais. Hoje sou feliz. Aninha também é. Vamos ter um filho, mas ele não vai chamar Wellington. Os amigos gays da Aninha continuam gays. Mas eles não vão mais no meu apartamento. Não cabe. E eu não deixariam que eles tocassem no meu novo sofá, tão querido, que comprei nas Casas Bahia em oito vezes. Não sinto nenhuma falta deles.

sábado, 19 de julho de 2008

Inflação assusta jovens e idosos

O medo de que os preços saiam do controle atingiu todas as classes da sociedade, unindo desde universitários até senhores de idade. Na ruas de São Paulo, a população alarmada conta o que está fazendo para evitar gastar mais dinheiro do que pode.

Entre os universitários, a preocupação é grande. Como essa faixa da população, em geral, depende da ajuda dos pais para se manter, ela é muito sensível a variações nos preços. Segundo os indicadores oficiais, os principais produtos consumidos pelos estudantes (cervejas, camisinhas e pacotes de miojo) tiveram alta de 5,2% desde o começo do ano. O IBGE disse que o aumento no curso de vida deles pode ter sido ainda maior, mas que é contra a política da instituição avaliar preços de produtos ilegais.

Segundo um aluno de engenharia que preferiu não se identificar, todos na sua república estão tristes. "Pois tivemos que trocar o miojo cremoso, que era gostoso pra caramba, pelo normal. Ainda bem que a gente, por ser de exatas, não gasta muito com camisinha" disse ele. Outro aluno, estudante de filosofia, disse que a inflação é "um ultraje" e que, nesse ritmo, "notas de um real só vão servir pra enrolar fu... bom, esqueça o que eu ia dizer". Seu amigo nos contou que já está tendo que se adaptar aos preços mais altos, "nós estamos tentando utilizar novamente o que dá usar, o que não tá em mau estado ao ponto de ter que jogar fora". Especialistas consultados pelo PG fazem questão de ressaltar que, como cervejas e miojos não são reutilizáveis, é perigoso e anti-higiênico reciclar outros produtos típicos da vida universitária. Além disso, eles lembram aos jovens que cédulas de dinheiro são sujas, a tinta pode ser tóxica e que elas não devem ter usos alternativos.

Outra faixa da população que pode ser atingida pela inflação são os idosos. Eles dependem de aposentadorias e gastam muito dinheiro com remédios e com carnês da telesena. Segundo seu Dorival, simpático senhor de 78 anos da capital paulista, "Primeiro fecharam os bingos e eu achei ruim, depois fecharam as casas onde as moças de vida fácil trabalhavam e eu achei pior ainda. Mas agora eu vejo que é o dinheiro que estou economizando que está me salvando. Ainda bem que não fecharam a farmácia, né? Eu ia ficar sem ter o que fazer". Seu Dorival ri. Segundo os psicólogos, a volta de inflação pode ter um efeito positivo sobre a terceira idade. "Renovar o estoque de reclamações deixa os velhinhos mais felizes", nos disse um deles.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Eduardo Suplicy lançará CD

Furando mais uma vez a concorrência, o "Pensamos Grande..." divulga em primeira mão a intenção do senador Eduardo Suplicy de lançar um CD de rap. O político, já experiente no gênero que surgiu nas periferias, agora canta músicas de sua própria composição. Ele nos recebeu na casa da sua família no Jardim Europa, em São Paulo.

Mano Suplicy já tem experiência com rap,
neste vídeo ele interpreta belíssima composição
poética dos Racionais MCs no Senado

PG - Senador Eduardo Suplicy, como o senhor...
Suplicy - Não me chame de "Senador Eduardo Suplicy". Vamos falar de rap nesta entrevista, quero ser tratado de "Mano Suplicy", meu nome artístico.

PG - Mano Suplicy? Certo... Mano Suplicy, como o senhor resolveu gravar um CD de rap?
Suplicy - Eu já penso nisso há muito tempo. Desde a época que eu era casado com a Marta, mas ela ficava dizendo que eu não devia gravar um CD, que eu não cantava direito. Aliás, tudo que eu fazia ela falava que eu não fazia direito. Algumas coisas eu até deixava passar, afinal ela é sexóloga, né? Exigente... Mas cantar eu sei que eu canto bem. Aí comecei a conversar com uns manos lá da periferia, falei com o meu amigo e irmão de cor MV Bill...

PG - Irmão de cor? Mas o senhor é branco!
Suplicy - Você fala isso porque é um branquelo insensível ao sofrimento do povo negro. Ser negro é mais do que uma questão tola de melanina, é um estado de espírito. Então, aí surgiu esse CD, que vou lançar ainda esse ano. Vou te dar o nome do projeto, em primeira mão. "Um negro no senado".

PG - "Um negro no senado"?
Suplicy - Sim, eu conto a minha história por lá e também falo dos problemas da periferia, das dificuldades com a truculência da polícia.

PG - A sua vontade de cantar rap teve influência no final do casamento do senhor?
Suplicy - Teve, claro. Mas eu duvido que aquele argentino que ela arranjou cante rap que nem eu. Aliás, vou contar uma piada, você sabe o que dá o filho de cearense com argentino? Um porteiro que se acha o dono do prédio... [Suplicy começa a gargalhar descontroladamente e precisa de um copo d´água]

PG - Não é deselegante um senador fazer esse tipo de brincadeira com os cearenses?
Suplicy - Eles sabem que é só brincadeira. Eu me dou bem com os senadores de todos os lugares, outro dia mesmo estive no Rio Grande do Sul a convite do Paulo Paim, que também é irmão de cor.

PG - Para concluir, o senhor poderia cantar um trecho de alguma música de sua composição?
Suplicy - "Tava na boa, lá no senado / com os deputado, os aloprado / vieram os homi, da oposição / maior tensão, maior tensão / falei pra eles: 'fica parado / não te preocupa, tô do seu lado' / mas se mexer... com as minha quebrada / os mano do Jardim Europa vão te dar porrada". Ficou muito bom, não?

PG - Ficou... Mas no senado só tem senadores, não deputados...
Suplicy - Tinha que rimar, né?


Van pintada especialmente para a turnê de divulgação do
CD de Suplicy: "Se você vir um policial, avise um irmão"

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Tarso Genro adiciona Protógenes no Orkut novamente

Brigas, agressões verbais, trocas de acusações. Momentos de indelicadeza têm sido comuns no desenrolar da confusão entre os membros da PF, o ministro Tarso Genro, o ministro do supremo Gilmar Mendes e o delegado Protógenes Queiróz, responsável pela Operação Satiagraha. O desentendimento começou quando Tarso Genro, num ato impensado, apagou um depoimento no Orkut que Protógenes tinha escrito há cerca de um ano. Nele, o delegado dizia que Genro era "um gaúcho churrasqueiro de primeira" e que estava "muito feliz por você ter conseguido virar ministro da Justiça". Lembrava dos tempos "em que aloprávamos geral, era cair, beber e levantar todo dia" e concluía afirmando "você pode contar comigo pra qualquer coisa, Tarso, você é parceiro de verdade!".

Protógenes teve então uma surpresa ainda maior quando descobriu que Tarso estava tramando para que ele fosse excluído da comunidade "Operação Satiagraha? Tô dentro!". Visivelmente magoado, deixou uma mensagem na comunidade "Brothers da PF" dizendo estar sendo perseguido e que Tarso Genro tinha sido convencido pelo ministro Gilmar Mendes a deletar Protógenes de sua lista de amigos. Recebeu várias respostas de apoio. Um dos seus amigos descobriu a senha de Gilmar Mendes e alterou a sua sexualidade para "curioso", o que criou mais uma crise no Planalto.

Após receber centenas de scraps pedindo explicações, Tarso Genro resolveu tomar algumas atitudes. Primeiro, bloqueou seu scrapbook para quem não é seu amigo e apagou todos os recados que tinha. Uma fonte que pediu para não ter seu nome citado, do círculo de amigos de Tarso, disse que "ele ficou muito magoado de ter que apagar aquele scrap de alguns meses atrás de uma tal de Marcinha com aquela música do Kid Abelha, mas ele tava decidido a apagar todos". Apuramos que os versos "diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério, tira essa bermuda que eu quero você sério" tem um significado muito especial para Genro, que disse há alguns meses para Marcinha "essa é a nossa música". Ela seria, segundo o amigo de Genro, uma amante.

Genro mandou, então, um foto-scrap de conciliação para Protógenes, reproduzido abaixo. Além disso, disse estar arrependido e perguntou se o delegado não quer voltar para a comunidade da Operação Satiagraha. Após adicionar Protógenes como amigo novamente, Genro teria dito a alguns interlocutores que estava muito triste por saber que não irá recuperar o depoimento de Protógenes, "uma das maiores demonstrações de amizade que eu já recebi na minha vida". Até o fechamento desta reportagem, ele ainda não tinha recebido resposta.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Passarela desaba e equipe do PG é atingida

A equipe de reportagem do "Pensamos Grande...", conforme noticiado em entrevista com o prefeito Gilberto Kassab, sofreu um acidente sério relacionado a uma passarela que despencou exatamente quando o nosso veículo estava passando. Ninguém ficou ferido, mas o Opala 73, de propriedade do PG, ficou destruído e não poderá mais ser utilizado.

O motorista do PG, seu Waldemar, lamentou a perda do carro, "uma caranga de primeira" na sua opinião. "Pena que bebia muito, que nem o motorista" disse ele, rindo. Seu Waldemar se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi detido.

A equipe voltava do Rio de Janeiro, mas passou antes em Santos para uma reportagem especial sobre empregados que utilizam os veículos das suas empresas a passeio. Apressados para uma entrevista com o prefeito Gilberto Kassab em São Paulo, seu Waldemar disse aos membros da equipe que eles não deveriam se preocupar. "Já dirigi muito Opala fugindo da polícia", ele teria afirmado.

Na rodovia dos Imigrantes, o Opala se encontrou com um Gol branco da Folha de São Paulo. A situação causou desentendimentos e provocações. Um repórter da Folha, demonstrando toda a sua inveja, gritou pela janela do carro "vocês são a escória do jornalismo". JR Duran, fotógrafo recém-contratado do PG, respondeu que "as reportagens da Folha têm tanta emoção quanto esse carrinho mil de vocês", atitude que gerou risadas dentro do Opala e estimulou Waldemar a mostrar toda a potência do carro, dando em cheio com um dos pilares laterais da passarela.

A equipe de "Pensamos Grande" lamenta pelo carro, que ficará para sempre nas memórias de todos os profissionais ligados à empresa.

Dentro do Opala Multiuso: Três candidatas ao "Programa de Trainees Pensamos
Grande" pouco antes do "teste do banco traseiro" na última etapa da seleção.


terça-feira, 15 de julho de 2008

Uma Campanha Inovadora

São Paulo é nossa próxima parada na série de entrevistas com os principais candidatos a prefeito. Chegando com atraso ao encontro, em conseqüência de uma passarela ter despencado em cima de nosso carro de reportagem [na verdade não sabemos se isso realmente aconteceu ou se ainda estávamos sob efeito de uma noite no apartamento de Gabeira], o nosso entrevistado, um pouco impaciente por estar esperando a três horas, nos recebeu com efusivos "Vagabundos! Vagabundos!". Com vocês, Geraldo Kassab.

PG - O senhor tem o maior índice de rejeição entre os candidatos a prefeito (137%). Como pretende reconquistar o eleitorado?
Kassab - Através das minhas propostas. A principal delas é a regularização de outdoors na cidade. Mas também pretendo permitir o tráfego de caminhões e total liberdade para os feirantes venderem seus produtos.

PG - Mas o senhor está atrás até mesmo de Enéas Carneiro nas pesquisas de intenção de voto, sendo que este candidato encontra-se falecido.
Kassab - Ciente desse quadro um pouco desfavorável, convoquei meus acessores para uma reunião à fim de descobrir um meio de tornar-me mais popular entre os paulistanos. A solução encontrada foi o que chamo de "inversão".

Kassab recebendo carinho dos eleitores por ter conseguido deixar o péssimo transporte público paulistano ainda piorPG - E o que seria exatamente essa "inversão"?
Kassab - Isso vocês descobrirão durante a campanha. Mas posso antecipar que faz parte do plano adotar uma postura mais despojada perante o eleitorado, ao invés de xingá-lo.

PG - Então temos uma campanha inovadora vindo por aí! Como o senhor pretende financiá-la?
Kassab - Além do apoio do colégio Liceu Pasteur [onde o pai de Kassab atua como diretor], conto com a ajuda do governador José Serra. Mais especificamente de sua indústria nuclear em Springfield.

PG - Estamos no fim da nossa entrevista. O senhor tem algo mais a acrescentar?
Kassab - Gostaria de dizer em primeira mão o slogan da minha campanha: "Meu nome é Gilberto, não vote 46!". Foi escolhido através de um concurso entre os alunos do Liceu [o vencedor ganhou um ponto na média].

Guia de Carreiras PG: Engenharia

Iniciando uma série de reportagens sobre profissões, a equipe de "Pensamos Grande" conversou com grandes engenheiros e apresenta agora os principais aspectos da carreira. A dedicação desses profissionais é fundamental para o progresso da economia e das cidades. Infelizmente, a sua vida sexual usualmente inexistente causa dramas pessoais que, juntamente ao consumo abusivo de álcool que surge ainda na faculdade quando o aluno percebe que as poucas meninas do seu curso tem mais barba do que o seu pai, culmina em desastres como o desabamento das obras do Metrô paulistano em janeiro de 2007. O CREA nos informou que já atua nas universidades tentando promover o contato dos engenheiros com mulheres, mas a organização afirma que ainda enfrenta muitas dificuldades.

Vida de engenheiro

Provavelmente a única carreira de exatas que oferece algum futuro financeiro, a engenharia atrai garotos com facilidade em matemática e física que ainda desejam ter uma casa própria, assim como garotas que não brincaram de boneca na infância. Sem muita experiência, ao entrar na universidade estes jovens ficam orgulhosos, espalham pelos quatro cantos que agora estudam engenharia e trocam os seus nomes no Orkut por "Poli USP 2008". Na primeira semana de aula, acreditam que vão dominar o mundo, que a biologia deveria reconsiderar a inclusão dos administradores no gênero Homo sapiens, que já estudaram demais no cursinho e não entendem como o resto do universo persiste em chamar um médico de "doutor" mas ainda não chama um engenheiro de "sábio supremo". Após cinco anos (ou seis, sete, oito...) de curso, o engenheiro desiste de dominar o mundo em troca de um emprego da Odebrecht na reconstrução do Iraque ou no chão da fábrica do Papel Chamex. Descobre o que é estudar de verdade e sente saudades do cursinho e se conforma em ser tratado por "ei, cara" pelos amigos. Entretanto, continua duvidando da inclusão dos administradores na mesma espécie dos engenheiros.

O que é realmente importante na Engenharia

Com dificuldades para entender o significado de vida social, os engenheiros passam a considerar como diversão se reunir em grandes grupos masculinos e beber até cair ou promover festas "do trocado", onde os homens se vestem de mulher e as mulheres não aparecem. Devido a isso, não conseguem acompanhar as matérias da faculdade, apresentando grandes dificuldades ao lidar com conceitos que exijam compreensão matemática mais avançada. Desta forma, surgiu o lema principal da engenharia, o famoso Coeficiente de Cagaço. Consiste em sempre colocar uns 20% a mais em qualquer resultado, "pra garantir". Assim, o mundo desperdiça quantidades enormes de concreto porque os engenheiros estavam muito ocupados provando os seus vestidos e saias. Se você se identifica com isso, a Engenharia pode ser o curso ideal pra você.

As especialidades da Engenharia

Desde a engenharia civil, que permite aos profissionais experimentar o prazer de mandar aqueles que ganham menos carregar peso e sofrer ao sol, até a engenharia de produção, que garante aos formados um ambiente com ar condicionado em escritórios onde o homossexualismo ocorre livremente, existe uma grande variedade de opções. Em geral, os que gostam de brincar de carrinho escolhem a engenharia mecânica, os que gostam de brincar de aviãozinho a aeronáutica, os que queriam fazer física mas gostavam de dinheiro escolhem a elétrica. No final, todos vão pensar em ir trabalhar em bancos.

Trabalhando em Banco

Estes profissionais conseguem muito sucesso nos bancos, em especial porque se os engenheiros não gostam de estudar, os outros profissionais gostam menos ainda. Depois de sofrer por anos na universidade sem ganhar nada, sofrer pelo resto da vida em uma grande corporação financeira em troca de um bom salário não parece tão ruim. Além disso, após anos de fracasso na vida amorosa, os engenheiros se convencem de que o dinheiro pode ser o último meio de se aproximar do público feminino. Com a expansão da população idosa, as posições como auxiliar de caixa eletrônico, ajudando os velhinhos a preencher envelopes e a digitar as suas senhas, prometem novas vagas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Um tapinha não doi

"Sossegadão". Foi assim que Marilene, empregada doméstica de Fernando Gabeira, descreveu o patrão para a nossa equipe de reportagem. A única reclamação dela, que já trabalha há mais de 20 anos para o político carioca, se relacionava "ao fumacê que ele faz naquele quarto, as cortina fica (sic) tudo impregnada". Dando início a uma série de entrevistas com os principais candidatos às cadeiras de prefeito pelo país, fomos até o Rio de Janeiro e conversamos brevemente com este homem que propõe novos panoramas para o Brasil.

Pensamos Grande - É verdade que o senhor é o famoso candidato melancia, verde por fora e vermelho por dentro?
Fernando Gabeira - Isso é uma mentira enorme. Eu nunca foi comunista pra valer. Aquela coisa de movimento revolucionário foi uma bobagem minha. Eu entrei porque tava de olho nas menininhas, até hoje não posso ver essas garotinhas vestindo aquelas roupas vermelhas surradas e chamando pra militância que fico louco pra mostrar o tamanho do meu revolucionário. Mas garanto aos eleitores que ninguém precisa se preocupar com isso.

PG - O senhor é um conhecido defensor da prostituição. Qual a faixa de preço das meninas ali da zona sul?
Gabeira - Depende muito da qualidade do serviço, mas você que é jornalista não vai poder exigir muito, né? O que eu gosto aqui no Brasil é da variedade. Tem japonesa, tem morena, tem loira... Tudo bem que normalmente é "loira do pentelho preto", mas você passa a ignorar isso com o tempo. Na Holanda elas são todas iguais, você volta no dia seguinte pra levar flores e não sabe quem foi que te atendeu. E, aqui no Rio, se você for um jogador de futebol famoso, sempre dá pra achar uma ou outra com uns opcionais a mais, se é que você me entente. (risos)

PG - O senhor vai muito pra Holanda?
Gabeira - Eu vou, é um lugar legal. Eu queria ir mesmo é para os Estados Unidos, mas eu não posso entrar lá, não sei se você sabia disso. Eu falei pro pessoal que aquele lance de seqüestrar o embaixador americano na época da ditadura não ia dar certo, mas nós éramos todos jovens, inconseqüentes. Aí o pessoal todo me chamou de entreguista, falaram que eu já tinha dito que não ia participar de outras coisas e no fim tinha ficado bem louco e gostado... Até hoje fazem piadinha, dizem que quando eu perguntava "o que é isso, companheiro?" cada hora alguém respondia uma droga diferente. Acabaram me convencendo. O chato é que fiquei amigo do Bill Clinton na década de 90 e nunca pude ir visitá-lo na Casa Branca. O Bill é uma figura, fumava e dizia que não tinha tragado, pegava a estagiária e dizia que não tinha comido...

PG - O senhor foi candidato a presidente em 1989 e conseguiu apenas 0,18% dos votos. O que aconteceu?
Gabeira - Eu não sei. Você tem consciência da zona que foi aquela eleição, não? O Collor que depois se revelou um grande canalha, o Lula que não época não aparava a barba muito bem. O pessoal falava pra ele "compra um Armani, vai melhorar sua imagem", mas ele achava que era coisa de burguês, que se ficasse bonitão demais a Marisa ia ficar com ciúmes. Cá entre nós, em off, um cara que tem um mulher como a Marisa em casa e se preocupa com os sentimentos dela é um herói, né? Quando ela veste vermelho fica parecendo a Marta Suplicy atropelada... (risos) Mas não publique isso. Então, o caso é que tinha muita gente se candidatando, todo mundo muito louco, tinha o Enéias, o Brizola, o Ulysses que já tava bem gagá. Não sobrou muito espaço pra mim. Além disso, naquela época os votos ainda eram no papel, não sei se grande parte da minha base eleitoral estava em condições de marcar o meu nome no dia da eleição, teve gente bem doida que veio me dizer que tava acontecendo fraude, que tavam dando duas, três cédulas pra cada eleitor... (risos) Não precisa falar nada, né?