No início da noite de um domingo de janeiro, os fiéis, reúnidos no principal templo da Igreja Renascer, no Cambuci, São Paulo, foram, em poucos segundos, soterrados pelo teto da Igreja. Uma núvem de poeira apareceu e dificultou ainda mais que se enxergasse o que se passava. "Do pó viestes, ao pó voltarás", disse um evangélico, ex-usuário de drogas, às famílias das vítimas, tentando consolar os que estavam ao seu redor.
O objetivo das investigações era claro: descobrir quais as causas da desgraça. A Polícia e a Defesa Civil, de maneira amadora, culparam a última reforma do telhado. O PG, que conta com uma equipe investigativa muito mais capaz, foi além.
Noite de sexta. Em São Paulo, missa na Renascer. O pastor convoca os fiéis. Que viessem até o altar e contassem uma história que provasse a existência de Deus. Sobe uma mulher de meia idade, tímida, e diz "meu marido conseguiu emprego". Em coro, todos dizem "aleluia!". O pastor pede algo mais forte. Aparece um jovem forte. "Eu tinha Aids, agora estou saudável". O "aleluia" sobe de tom. "Quem pode nos mostrar milagre maior?", desafia o pastor. Surge uma senhora. Ela parece tímida. "A plást..." e a sua voz some. O pastor diz que não conseguiu escutar. Ela tenta novamente: "a plástica da Dilma Rouseff, pronto, falei".
O objetivo das investigações era claro: descobrir quais as causas da desgraça. A Polícia e a Defesa Civil, de maneira amadora, culparam a última reforma do telhado. O PG, que conta com uma equipe investigativa muito mais capaz, foi além.
Noite de sexta. Em São Paulo, missa na Renascer. O pastor convoca os fiéis. Que viessem até o altar e contassem uma história que provasse a existência de Deus. Sobe uma mulher de meia idade, tímida, e diz "meu marido conseguiu emprego". Em coro, todos dizem "aleluia!". O pastor pede algo mais forte. Aparece um jovem forte. "Eu tinha Aids, agora estou saudável". O "aleluia" sobe de tom. "Quem pode nos mostrar milagre maior?", desafia o pastor. Surge uma senhora. Ela parece tímida. "A plást..." e a sua voz some. O pastor diz que não conseguiu escutar. Ela tenta novamente: "a plástica da Dilma Rouseff, pronto, falei".
Mesma noite de sexta. Em Brasília, enquanto se arrumava para ir ao Forró, Dilma Rousseff se olhava mais uma vez no espelho. A recauchutada tinha ficado boa. Aquele rapaz que tinha deixado a ministra sozinha, justo enquanto tocava "moreno, me convidou para dançar um xote, beijou o meu cabelo, cheirou meu cangote, fez meu corpo inteiro se arrepiar", trazendo boas lembranças para Dilma, iria se arrepender. Iria ver o que perdeu. O PAC pode não impressionava muito os rapazes. Tudo bem, duas pontes no interior de Tocantins e um toldo no porto de Paranaguá ("pelo menos os estivadores não se molham mais quando chove, tá?", ela se defende) não são grande coisa pra sussurrar ao ouvido de um desses guris entre uma dança e outra. Mas, agora, tudo iria mudar. "Tantos anos de luta revolucionária pra mudar o mundo quando eu precisava apenas de um bisturi?", questiona Dilma ao espelho. "Que desperdício de tempo..."
No Forró, Dilma dança contente, sem grandes preocupações. Ao menos até encontrar o moreno. Aí, o coração da ministra bate mais forte. "Coração, pra que se apaixonou por alguém que nunca te amou, alguém que nunca vai te amar?" ao fundo e na sua mente. Ele parece impressionado. Larga uma loira e vai ao encontro de Dilma. Olhares são trocados. Ele a puxa com força. Eles se jogam em meio aos casais. "Pra que chorar sua mágoa? Se afogando em agonia... Conta tempestade em copo d´água, dance o xote da alegria, aaah haa hei hei, um dêr um dêr um iô dereeê um dêrum, dêrum deeê um dêrum dêrum derum."
"A letra dessa música é linda, né?", diz Dilma. Ele concorda. Fazem passos. Ela passa por baixo do braço dele, ele a joga para longe a puxa de volta, eles dão a inusitada batidinha de bunda lateral que, misteriosamente, agrada tanto aos forrozeiros brasileiros. "Devia ter mandado o cirurgião dar uma endurecidinha atrás também, nem ia ficar tão caro", ela pensa. Eles se aproximam. Saem da multidão. Seus lábios, agora, estão a pouco centímentos. Ele recua. "Você está linda, mas eu não deveria estar aqui. Troquei o culto pelo forró e, se te beijar, vou estar pecando ainda mais". Ele vai embora. Ela só consegue fazer uma última pergunta: "mas qual a sua igreja?". "Renascer" e some na multidão.
"Na sua boca viro fruta. Chupa que é de uva. Chupa, chupa, chupa que é de uva" ao fundo. "Odeio essa música, odeio esse lugar, odeio tudo", diz Dilma enquanto segura as lágrimas. Ela vai dar a volta por cima. Se fosse da igreja, ele a amaria, ela pensa. Ela poderia muito bem se converter. Dilma quer impressionar o moreno. Quer que ele a admire. Resolve ir até São Paulo. Na sede, para mostrar firmeza. E, afinal, melhor conhecer a igreja, no começo, longe do moreno. Ainda além, pode aproveitar a viagem para tomar um café com o adversário e amigo José Serra. "Se não fosse tucano e gostasse de forró, quem sabe...", disse Dilma a interlocutores recentemente.
Só consegue chegar na capital paulista no domingo. Ela vai ao culto. Senta no fundo, tímida. Quando ele termina, resolve ir conversar com o pastor. Quer saber mais sobre o amor cristão. Depois de cinco passos, vê um moreno de mãos dadas com uma loira perto do altar. Ela continua andando. O moreno também vai em direção ao pastor. Ele não a viu. Ela se assusta. O moreno não era qualquer moreno, era o seu moreno. Antes que pudesse ver Dilma, ele fala ao pastor: "eu e a minha noiva queriamos casar nessa igreja, tão linda, apesar de sermos de Brasília. Posso falar com o senhor?".
Dilma se desespera. Ele a vê. Ela sai correndo para o banheiro. O moreno vai atrás. Ela tranca a porta e manda ele ir embora. Ele não vai. Ela chora. Grita. Fala palavrões. Aos prantos, berra "eu quero que o mundo caia na minha cabeça se você casar com ela, demônio!". Silêncio. O teto começa a rachar, os fiéis fogem. Dilma se salva. Moreno volta para salvar a loira e ambos morrem. Ela se desespera. Percebe que errou. Fica com medo de ser punida. Invocar o demônio tinha sido demais. O máximo que ela já tinha feito antes disso era usar o nome de José Dirceu em negociatas políticas. Não é muito diferente de invocar o demônio, certo, mas ao menos era um representante menor dele. Antes que a polícia e os bombeiros chegassem, ela corre até um ponto de táxi. Aeroporto. Brasília. Nunca mais quer lembrar do passado. O PG lembrará, Dilma, o PG lembrará.









Não enxerga? Compre um óculos, ou clique!






